Questão FC114792
Texto CB1A1 Enquanto Singapura e Dublin lançaram suas réplicas digitais usando aprendizado de máquina para prever eventos e tendências futuras, países inteiros ainda não garantiram
Partícula Se
CEBRASPE (CESPE) · 2024
Enquanto Singapura e Dublin lançaram suas réplicas digitais usando aprendizado de máquina para prever eventos e tendências futuras, países inteiros ainda não garantiram água potável e eletricidade para seus habitantes. Como a arquitetura reflete as sociedades, a acentuada desigualdade social em que vivemos continuará sendo refletida na arquitetura que construímos: algumas obras totalmente projetadas por inteligência artificial (IA), outras criadas manualmente e com modelos físicos em um escritório de arquitetura boutique, e a grande maioria sendo feita no local com papel e lápis, sem a intervenção direta de arquitetos. Talvez todos esses cenários coexistam na mesma cidade.
O escritor Benjamin Labatut declarou: “se a inteligência artificial fosse capaz de pensar, teria pontos cegos; se conseguisse ser criativa, teria limites, pois limites são frutíferos; se fosse capaz de imitar nossa capacidade de raciocínio, talvez precisasse do (ou desenvolvesse o) nosso talento para a loucura. E se lhe faltasse compreensão, se não se importasse com a beleza e o horror que pode criar, então seria imprudente nos colocarmos em suas mãos.”.
O futuro da arquitetura está na interseção entre inovação tecnológica e intenção humana. Em última instância, a agência humana — sociedade civil, políticos e partes interessadas — exerce uma influência significativa. O curso da história não está escrito em pedra, mas é moldado pelas decisões tomadas hoje, especialmente se a IA afeta nossos bolsos. A arquitetura, então, torna-se o resultado de decisões coletivas, em que os avanços da IA se cruzam com as aspirações e os valores da sociedade. É dentro desse jogo de interações que a evolução e o impacto da arquitetura encontram sua ressonância e seu significado.
Nicolás Valencia. O impacto das ferramentas de inteligência artificial na arquitetura em 2024 (e além). Internet: <www.archdaily.com.br> (com adaptações).
No último período do segundo parágrafo, o vocábulo “se” classifica-se como pronome, em todas as suas ocorrências.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A afirmação é ERRADA porque, no último período do segundo parágrafo, o vocábulo "se" aparece três vezes com funções diferentes, não sendo pronome em todas as ocorrências.
Em "E se lhe faltasse compreensão" e em "se não se importasse com a beleza e o horror", o primeiro "se" de cada trecho equivale a "caso", portanto é conjunção subordinativa adverbial condicional, usada para introduzir a condição. Já o "se" imediatamente antes de "importasse" integra o verbo pronominal importar-se, funcionando como pronome oblíquo átono do verbo.
Logo, "se" é pronome apenas em uma das três ocorrências, motivo pelo qual a assertiva foi julgada incorreta.
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