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Questão FC114910

Quando se fala em palhaço, duas imagens costumam vir logo à cabeça. Palhaço, infelizmente, é aquele de quem muitos têm medo. Ele pega alguém da plateia para ridicularizar, faz gros

Linguagem

CEBRASPE (CESPE) · 2023

Quando se fala em palhaço, duas imagens costumam vir logo à cabeça. Palhaço, infelizmente, é aquele de quem muitos têm medo. Ele pega alguém da plateia para ridicularizar, faz grosserias, piadas inconvenientes. Crianças têm medo de palhaços. Filmes de terror exploram impiedosamente nossas fantasias infantis sobre tal figura. Esses palhaços malvados existem em nosso imaginário e, felizmente, são a minoria na realidade. Neste exato instante em que você lê estas palavras, milhares de palhaços em todo o mundo estão em hospitais, campos de batalha, campos de refugiados, escutando pessoas, relacionando-se verdadeiramente com elas, buscando, por meio do afeto e do humor, amenizar a dor daqueles que estão passando por situações trágicas e delicadas. Dessa imagem inferimos por que a comédia é uma espécie de tratamento para a tragédia. Um tratamento que não nega nem destitui a existência do pior, mas que faz com ele uma espécie de inversão de sentido. Assim, introduzimos que o horizonte do que o palhaço escuta é a tragédia da vida, a sua realidade mais extensa de miséria e impotência, de pequenez e arrogância, de pobreza e desencontro, que se mostra como uma repetição insensata sempre. O palhaço é um realista, mas não um pessimista. Ele mostra a realidade exagerando as deformações que criamos sobre ela. Primeira lição a tirar disso para a arte da escuta: escutar o outro é escutar o que realmente ele diz, e não o que a gente ou ele mesmo gostaria de ouvir. Escutar o que realmente alguém sente ou expressa, e não o que seria mais agradável, adequado ou confortável sentir. Escutar o que realmente está sendo dito e pensado, e não o que nós ou ele deveríamos pensar e dizer.

Christian Dunker e Cláudio Thebas. O palhaço e o psicanalista: como escutar os outros pode transformar vidas. São Paulo: Planeta do Brasil, 2019, p. 30-1 (com adaptações).

Com relação às ideias, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o item a seguir.

O emprego da forma “você” (sétimo período) está inadequado ao nível de formalidade do texto.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A assertiva foi julgada ERRADO porque o uso de “você” no sétimo período não compromete o nível de formalidade do texto. O pronome, derivado de vossa mercê, é de uso corrente no português brasileiro culto e pode integrar textos ensaísticos e argumentativos sem caracterizar descuido lingüístico.


Além disso, o emprego de “você” cumpre uma função retórica importante: cria aproximação entre autor e leitor, elemento desejável em um trecho reflexivo que visa envolver quem lê. A alternativa mais distante, como “o leitor” ou “o indivíduo”, não seria obrigatória nem necessariamente mais adequada.


Portanto, afirmar que o pronome torna o trecho inadequado por informalidade é incorreto; trata‑se de escolha de registro compatível com o propósito comunicativo do texto.

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