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Questão FC115001

Foto: Fabrice Monteiro. A máscara de folha-de-flandres. Internet: <avozdaserrra.com.br>. A escravidão levou consigo ofícios e aparelhos, como terá sucedido a outras instituições so

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2023



Foto: Fabrice Monteiro. A máscara de folha-de-flandres. Internet: <avozdaserrra.com.br>.

A escravidão levou consigo ofícios e aparelhos, como terá sucedido a outras instituições sociais. Não cito alguns aparelhos senão por se ligarem a certo ofício. Um deles era o ferro ao pescoço, outro o ferro ao pé; havia também a máscara de folha-de-flandres. A máscara fazia perder o vício da embriaguez aos escravos, por lhes tapar a boca. Tinha só três buracos, dois para ver, um para respirar, e era fechada atrás da cabeça por um cadeado. Com o vício de beber, perdiam a tentação de furtar, porque geralmente era dos vinténs do senhor que eles tiravam com que matar a sede, e aí ficavam dois pecados extintos, e a sobriedade e a honestidade certas. Era grotesca tal máscara, mas a ordem social e humana nem sempre se alcança sem o grotesco, e alguma vez o cruel. Os funileiros as tinham penduradas, à venda, na porta das lojas. Mas não cuidemos de máscaras.

Machado de Assis. Pai contra mãe.
In: Machado de Assis: Obra completa em quatro volumes. Vol. 2. São Paulo: Editora Nova Aguilar, 2015 (com adaptações).

Considerando o trecho precedente, do conto Pai contra mãe, escrito por Machado de Assis em 1906, julgue o item a seguir.

Em “Mas não cuidemos de máscaras”, o autor expressa, de forma crítica, o desinteresse da literatura brasileira pela problematização da escravização, ausente tanto no Romantismo de Castro Alves ou de Bernardo Guimarães quanto no Realismo de Machado de Assis.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Comentário: A afirmação está errada porque, ao dizer que "Mas não cuidemos de máscaras" expressa um desinteresse da literatura brasileira pela problematização da escravização, ignora-se que Machado de Assis, mesmo que de forma sutil, aborda questões sociais e a complexidade da escravidão em suas obras. Embora não escrevesse sobre a escravidão de maneira direta e dramática como Castro Alves, sua crítica ao cotidiano e às relações sociais revela uma preocupação com as consequências da escravidão na sociedade brasileira. Portanto, a frase não pode ser interpretada como um desinteresse, mas sim como um convite à reflexão sobre temas sociais, incluindo a escravidão, que permeiam sua obra e a literatura da época.

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