Questão FC115015
O uso de novas marcas de gênero na língua portuguesa como decorrência de um ativismo social aplicado à linguagem nos convida a uma análise. Há registro de diversos movimentos relac
Interpretação de Textos (Compreensão)
CEBRASPE (CESPE) · 2023
Examinemos os usos de “@”, “x”, “e” como desinências para identificar conjuntos de pessoas de diferentes gêneros, em substituição ao plural masculino, previsto nas normas gramaticais. Segundo essas normas, basta que haja um elemento masculino para que o plural seja masculino. Ao nos referirmos a um coletivo em que haja pelo menos uma pessoa do gênero masculino, escrevemos: Nossas saudações a todos. Nos usos do ativismo, temos: Nossas saudações a “tod@s”, “todxs”, “todes” e, mais recentemente, “tods”. Do ponto de vista da funcionalidade da língua, os dois primeiros, assim como o último, não se mostram viáveis no caso de sua produção oral, fato que nos leva a supor que seu uso, enquanto perdurar, continuará restrito ao contexto da escrita. O terceiro (“e”) não apresenta essa limitação. Para uso amplo, tanto na fala quanto na escrita, parece-nos, então, que só ele tenha alguma perspectiva de incorporação à língua portuguesa.
Com relação às ideias e aos aspectos gramaticais do texto anterior, julgue o item e faça o que se pede no item, que é do tipo C.
Em “nos convida” e “parece-nos”, o pronome “nos” poderia aparecer indiferentemente em próclise ou ênclise, sem prejuízo da correção gramatical do texto.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Comentário: A questão proposta aborda a posição do pronome em frases específicas. A afirmação de que “nos” poderia ser usado tanto em próclise quanto em ênclise nas expressões “nos convida” e “parece-nos” apresenta um equívoco. No caso de “nos convida”, o uso de ênclise com a forma “convida-nos” é plenamente aceitável, pois não há palavra que atraia o pronome, permitindo a livre escolha do falante. Contudo, a situação muda em “parece-nos”, onde a próclise é obrigatória. Isso se deve ao fato de que o pronome não pode iniciar a oração, já que qualquer tentativa de usar a ênclise resultaria em “nos parece”, o que violaria essa norma gramatical. Portanto, não se pode dizer que o pronome tenha liberdade de escolha nesse contexto, pois a estrutura das orações impõe restrições distintas conforme sua formatação. Assim, a alternativa correta é “ERRADO”.
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