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Questão FC115036

À procura da infância Procuro ouvir na voz do vento o eco perdido da minha infância. E no riso franco das criancinhas eu vislumbro o meu riso antigo. Procuro nas ruas desertas e si

Semântica

CEBRASPE (CESPE) · 2021

À procura da infância

Procuro ouvir na voz do vento
o eco perdido da minha infância.
E no riso franco das criancinhas
eu vislumbro o meu riso antigo.
Procuro nas ruas desertas e silenciosas
o canto alegre das cirandas
e as minhas correrias do tempo recuado.
Dentro daquela avenida asfaltada,
onde rolam automóveis de luxo,
eu busco a minha ruazinha feia e pobre.
Procuro ver nas bonecas de hoje,
tão lindas, de tranças sedosas, a bonequinha de trapo que eu embalei nos meus braços.
Procuro encontrar no rosto das neocomungantes
traços de minha inocência e a primeira emoção daquela que ficou no tempo.
Procuro descobrir, desesperada,
na face ingênua das crianças,
a minha pureza perdida.
Procuro em vão, pois não encontrarei jamais vestígios da minha infância feliz,
que os anos guardaram no seu abismo.

Anilda Leão. In: Chão de pedras. Maceió: Caetés, 1961.

A partir da leitura do poema precedente, escrito por Anilda Leão, poetisa alagoana, julgue o item a seguir, relativo às ideias e aos aspectos linguísticos do texto.

No trecho “vestígios da minha infância feliz”, o termo “vestígios” tem o significado de rastros.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

O item é Certo porque, no contexto do poema, vestígios equivale a rastros. Semânticamente, "vestígios" remete a marcas, resquícios ou restos de algo que passou, isto é, sinais deixados pelo tempo.

Os verbos do eu lírico, como procuro e busco, e a ideia de perda expressa em "os anos guardaram no seu abismo" reforçam que se trata de traços remanescentes da infância, não de objetos intactos. Assim, interpretar "vestígios" como "rastros" está de acordo com o sentido do texto e com o campo semântico da palavra.

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