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Questão FC115039

Sozinha no mundo, sem pai nem mãe, ela corria, arfava, muda, concentrada. Às vezes, na fuga, pairava ofegante num beiral de telhado e enquanto o rapaz galgava outros com dificuldad

Semântica

CEBRASPE (CESPE) · 2020

Sozinha no mundo, sem pai nem mãe, ela corria, arfava, muda, concentrada. Às vezes, na fuga, pairava ofegante num beiral de telhado e enquanto o rapaz galgava outros com dificuldade tinha tempo de se refazer por um momento. E então parecia tão livre.

Estúpida, tímida e livre. Não vitoriosa como seria um galo em fuga. Que é que havia nas suas vísceras que fazia dela um ser? A galinha é um ser. É verdade que não se poderia contar com ela para nada. Nem ela própria contava consigo, como o galo crê na sua crista. Sua única vantagem é que havia tantas galinhas que morrendo uma surgiria no mesmo instante outra tão igual como se fora a mesma.

Clarice Lispector. Uma galinha. In: Laços de família: contos. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Considerando as ideias, os sentidos e os aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item que se segue.

No trecho “pairava ofegante num beiral de telhado”, o verbo pairar está empregado com o mesmo sentido de ameaçar.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Item ERRADO, porque no contexto apresentado o verbo pairar tem sentido literal de “estar suspenso, permanecer no ar ou sobre algo”.

O trecho “pairava ofegante num beiral de telhado” descreve uma cena física: a personagem, cansada (ofegante) e em fuga, fica momentaneamente sobre o beiral para recuperar-se.

A palavra ameaçar seria incompatível com esses marcadores contextuais, já que não há ação dirigida a alguém nem intenção agressiva, e sim repouso e alívio da personagem.

Observação: pairar pode ter uso metafórico em outros contextos, como “pairava uma dúvida” ou “uma sensação pairava, ameaçando”, mas esse sentido não se aplica ao trecho citado.

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