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Questão FC115087

À procura da infância Procuro ouvir na voz do vento o eco perdido da minha infância. E no riso franco das criancinhas eu vislumbro o meu riso antigo. Procuro nas ruas desertas e si

Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)

CEBRASPE (CESPE) · 2021

À procura da infância

Procuro ouvir na voz do vento
o eco perdido da minha infância.
E no riso franco das criancinhas
eu vislumbro o meu riso antigo.
Procuro nas ruas desertas e silenciosas
o canto alegre das cirandas
e as minhas correrias do tempo recuado.
Dentro daquela avenida asfaltada,
onde rolam automóveis de luxo,
eu busco a minha ruazinha feia e pobre.
Procuro ver nas bonecas de hoje,
tão lindas, de tranças sedosas, a bonequinha de trapo que eu embalei nos meus braços.
Procuro encontrar no rosto das neocomungantes
traços de minha inocência e a primeira emoção daquela que ficou no tempo.
Procuro descobrir, desesperada,
na face ingênua das crianças,
a minha pureza perdida.
Procuro em vão, pois não encontrarei jamais vestígios da minha infância feliz,
que os anos guardaram no seu abismo.

Anilda Leão. In: Chão de pedras. Maceió: Caetés, 1961.

A partir da leitura do poema precedente, escrito por Anilda Leão, poetisa alagoana, julgue o item a seguir, relativo às ideias e aos aspectos linguísticos do texto.

Em “Procuro descobrir, desesperada, / na face ingênua das crianças, / a minha pureza perdida”, o termo “desesperada” qualifica o vocábulo “pureza”, o que indica que a pureza é retratada no poema como objeto de desilusão.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A afirmação é errada porque o adjetivo desesperada não qualifica pureza, mas o sujeito que realiza a ação. Perguntando ao verbo, "quem procura descobrir?" a resposta é o pronome oculto eu, indicado pela forma verbal "procuro" em 1.ª pessoa do singular; portanto desesperada caracteriza o eu lírico.

Já pureza perdida aparece como o objeto buscado, ou seja, a "pureza" é o complemento da ação "descobrir" e "perdida" é o adjetivo que a modifica. Assim, o termo "desesperada" expressa o estado emocional da falante durante a busca, não uma qualidade atribuída à pureza.

A flexão feminina de desesperada confirma que o eu lírico é feminino, reforçando a função atributiva ao sujeito e não ao substantivo "pureza". Portanto, o item está incorreto.

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