Questão FC115105
A Casa de Detenção Feminina era antiquada, embolorada, lúgubre e sombria. O chão da sala de admissão era de cimento, sem pintura, com a sujeira dos sapatos de milhares de prisionei
Interpretação de Textos (Compreensão)
CEBRASPE (CESPE) · 2021
Disseram para eu me sentar no banco da frente, na fileira da direita. De repente, ouviu-se um estrondo do lado de fora do portão. Várias mulheres se aproximavam da entrada, esperando que o portão de ferro se abrisse.
Enquanto as mulheres que tinham voltado do tribunal estavam em pé do lado de fora dos portões de ferro, fui levada para fora da sala. Lá, havia o mesmo piso de cimento imundo, paredes de azulejos amarelados descorados e duas escrivaninhas velhas de escritório. Uma inspetora branca e robusta estava no comando. Quando eu descobri, entre os papéis grudados na parede, um cartaz de pessoas procuradas pelo FBI com a minha fotografia e descrição, ela o arrancou de lá.
Eu ainda estava esperando naquela sala suja quando houve a troca de turno. Outra agente prisional foi enviada para me vigiar. Ela era negra, jovem — mais nova do que eu —, usava cabelos crespos naturais e, ao se aproximar, não demonstrou nenhum tipo de arrogância. Foi uma experiência que me desarmou. No entanto, não foi o fato de ela ser negra que me surpreendeu, foi seu comportamento: sem agressividade e aparentemente solidário.
Imaginando que eu pudesse ser capaz de obter dela alguma informação sobre a minha situação, perguntei por que a demora era tão longa. Ela não sabia detalhes, disse, mas achava que estavam tentando decidir como me manteriam separada da população prisional. Seu pressentimento era de que eu seria colocada na área da prisão reservada para mulheres com transtornos psicológicos. Olhei para ela com incredulidade. Para mim, prisão era prisão — não existia gradação de melhor ou pior.
A descrição do espaço é um recurso utilizado pela autora para criticar o ambiente prisional em que se encontra.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Comentário: A afirmação apresentada está correta, pois o texto utilizado por Angela Y. Davis é uma rica ilustração de como a descrição do espaço serve como ferramenta de crítica social.
Logo nas primeiras linhas, a autora pinta um quadro sombrio e opressivo da Casa de Detenção Feminina, ao usar adjetivos como antiquada, embolorada, lúgubre e sombria, evocando não apenas a deterioração física do ambiente, mas também um clima de desumanização e abandono.
Elementos como o chão de cimento, sujeira acumulada e paredes de azulejos amarelados não são meramente descritivos; eles transmitem uma sensação de degradação que se associa à forma como a sociedade vê suas prisioneiras.
A combinação dessas imagens e a ênfase na sujeira e na velhice dos móveis reforçam a crítica ao sistema carcerário, sugerindo que este espaço, longe de ser um lugar de reabilitação, é um símbolo de negligência e opressão.
Portanto, o recurso descritivo funciona para evidenciar a indignação da autora em relação ao ambiente prisional, sublinhando que a prisão não é apenas um espaço físico, mas um reflexo de um sistema falho e injusto.
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