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Questão FC115106

A Casa de Detenção Feminina era antiquada, embolorada, lúgubre e sombria. O chão da sala de admissão era de cimento, sem pintura, com a sujeira dos sapatos de milhares de prisionei

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2021

A Casa de Detenção Feminina era antiquada, embolorada, lúgubre e sombria. O chão da sala de admissão era de cimento, sem pintura, com a sujeira dos sapatos de milhares de prisioneiras, policiais e inspetoras de polícia incrustada na superfície.

Disseram para eu me sentar no banco da frente, na fileira da direita. De repente, ouviu-se um estrondo do lado de fora do portão. Várias mulheres se aproximavam da entrada, esperando que o portão de ferro se abrisse.

Enquanto as mulheres que tinham voltado do tribunal estavam em pé do lado de fora dos portões de ferro, fui levada para fora da sala. Lá, havia o mesmo piso de cimento imundo, paredes de azulejos amarelados descorados e duas escrivaninhas velhas de escritório. Uma inspetora branca e robusta estava no comando. Quando eu descobri, entre os papéis grudados na parede, um cartaz de pessoas procuradas pelo FBI com a minha fotografia e descrição, ela o arrancou de lá.

Eu ainda estava esperando naquela sala suja quando houve a troca de turno. Outra agente prisional foi enviada para me vigiar. Ela era negra, jovem — mais nova do que eu —, usava cabelos crespos naturais e, ao se aproximar, não demonstrou nenhum tipo de arrogância. Foi uma experiência que me desarmou. No entanto, não foi o fato de ela ser negra que me surpreendeu, foi seu comportamento: sem agressividade e aparentemente solidário.

Imaginando que eu pudesse ser capaz de obter dela alguma informação sobre a minha situação, perguntei por que a demora era tão longa. Ela não sabia detalhes, disse, mas achava que estavam tentando decidir como me manteriam separada da população prisional. Seu pressentimento era de que eu seria colocada na área da prisão reservada para mulheres com transtornos psicológicos. Olhei para ela com incredulidade. Para mim, prisão era prisão — não existia gradação de melhor ou pior.

Angela Y. Davis. Uma autobiografia. Heci Regina Candiani (Trad.). 1.ª ed. São Paulo: Boitempo, 2019 (com adaptações).

Com referência às ideias e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir.

Infere-se do texto que a autora se sentiu desarmada e, portanto, menos desconfiada, devido ao fato de a agente prisional referida no quarto parágrafo ser negra.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Comentário: A alternativa apresentada está incorreta, pois a interpretação do texto requer uma análise cuidadosa das nuances da narrativa. A autora menciona que se sentiu desarmada, mas isso está diretamente relacionado à atitude da agente que a observava, e não à sua etnia. A frase-chave revela que a experiência dela foi positiva, porque a agente não demonstrou nenhum tipo de arrogância e apresentava um comportamento sem agressividade e aparentemente solidário. Esse fator foi o que verdadeiramente impactou a autora, independentemente da cor da pele da agente prisional. Assim, a relação entre a cor da agente e a sensação de confiança da autora não é sustentada pelo texto, o que torna a afirmação ERRADA. O foco deve ser no comportamento da agente, que traz um alívio emocional em um contexto normalmente hostil, evidenciando que não é a sua raça que a surpreende, mas a sua postura humana e acolhedora. Portanto, a conclusão correta é que a desarmamento emocional da autora surge do trato da agente, contrastando com a expectativa de um ambiente prisional opressivo.

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