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Questão FC115108

Reconhecer o status de mulheres brancas e homens negros como oscilante nos possibilita enxergar as especificidades desses grupos e romper com a invisibilidade da realidade das mulh

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2021

Reconhecer o status de mulheres brancas e homens negros como oscilante nos possibilita enxergar as especificidades desses grupos e romper com a invisibilidade da realidade das mulheres negras. Por exemplo, ainda é muito comum a gente ouvir a seguinte afirmação: “mulheres ganham 30% a menos do que homens brancos no Brasil”, quando a discussão é desigualdade salarial. Essa afirmação está incorreta? Logicamente não; mas do ponto de vista ético, sim. Explico: mulheres brancas ganham 30% a menos do que homens brancos no Brasil. Homens negros ganham menos do que mulheres brancas, e mulheres negras ganham menos do que todos. Segundo pesquisa desenvolvida pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), 39,6% das mulheres negras estão inseridas em relações precárias de trabalho, seguidas pelos homens negros (31,6%), por mulheres brancas (26,9%) e por homens brancos (20,6%). Ainda segundo a pesquisa, mulheres negras representam o maior contingente de pessoas desempregadas e no trabalho doméstico. Quando muitas vezes é apresentada a importância de se pensarem políticas públicas para as mulheres, comumente se ouve que as políticas devem ser para todos. Mas quem são esse “todos”, ou quantos cabem nesse “todos”?

Djamila Ribeiro. O que é lugar de fala?
Belo Horizonte: Letramento; Justificando, 2017 (com adaptações).

Considerando as ideias, os sentidos e os aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir.

Conforme os dados apresentados no texto, de modo geral, as mulheres estão mais vulneráveis às relações precárias de trabalho do que os homens.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Comentário: É importante compreender que a afirmação de que as mulheres estão mais vulneráveis às relações precárias de trabalho do que os homens está formulação equivocada. Ao analisarmos os dados fornecidos no texto, notamos que a maior taxa de inserção em situações de vulnerabilidade salarial se concentra nas mulheres negras, cuja participação em relações precárias atinge 39,6%. Isso as coloca em uma posição muito mais crítica do que as demais categorias mencionadas.
Além disso, para os homens negros, a taxa é de 31,6%, o que significa que homens, de maneira geral, não estão mais expostos do que estas mulheres ao risco de precarização do trabalho. As mulheres brancas e os homens brancos seguem com índices de vulnerabilidade menores, o que reforça que as condições laborais desfavoráveis são mais intensas para o grupo das mulheres negras especificamente.
Portanto, ao discutir a vulnerabilidade no mercado de trabalho, é crucial considerar a interseccionalidade das condições, uma vez que o panorama pode variar significativamente entre os diferentes grupos. Essa análise cuidadosa é fundamental para se evitar generalizações e para promover políticas públicas mais eficazes e direcionadas.

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