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Questão FC115109

Reconhecer o status de mulheres brancas e homens negros como oscilante nos possibilita enxergar as especificidades desses grupos e romper com a invisibilidade da realidade das mulh

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2021

Reconhecer o status de mulheres brancas e homens negros como oscilante nos possibilita enxergar as especificidades desses grupos e romper com a invisibilidade da realidade das mulheres negras. Por exemplo, ainda é muito comum a gente ouvir a seguinte afirmação: “mulheres ganham 30% a menos do que homens brancos no Brasil”, quando a discussão é desigualdade salarial. Essa afirmação está incorreta? Logicamente não; mas do ponto de vista ético, sim. Explico: mulheres brancas ganham 30% a menos do que homens brancos no Brasil. Homens negros ganham menos do que mulheres brancas, e mulheres negras ganham menos do que todos. Segundo pesquisa desenvolvida pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), 39,6% das mulheres negras estão inseridas em relações precárias de trabalho, seguidas pelos homens negros (31,6%), por mulheres brancas (26,9%) e por homens brancos (20,6%). Ainda segundo a pesquisa, mulheres negras representam o maior contingente de pessoas desempregadas e no trabalho doméstico. Quando muitas vezes é apresentada a importância de se pensarem políticas públicas para as mulheres, comumente se ouve que as políticas devem ser para todos. Mas quem são esse “todos”, ou quantos cabem nesse “todos”?

Djamila Ribeiro. O que é lugar de fala?
Belo Horizonte: Letramento; Justificando, 2017 (com adaptações).

Considerando as ideias, os sentidos e os aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir.

No último período do texto, a autora dá ênfase ao termo ‘todos’, sugerindo a existência de uma relativização na ideia de que as políticas públicas devem ser para todos.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Comentário: No fechamento do texto, a autora questiona de maneira crítica quem realmente compõe o grupo mencionado como “todos” quando se fala em políticas públicas. Ao utilizar aspas ao redor do termo, ela destaca a ambiguidade e a necessidade de reflexão sobre quem está sendo incluído na discussão. Essa indagação sinaliza que a noção de que políticas devem beneficiar "todos" é, muitas vezes, uma generalização que não reflete a realidade das diversas camadas sociais.
Portanto, Djamila Ribeiro sugere uma relativização dessa ideia, indicando que não se deve assumir que todos são igualmente favorecidos e que, em muitos contextos, certas populações, como as mulheres negras, permanecem à margem das políticas que deveriam, idealmente, atendê-las. Essa crítica é fundamental para entendermos que a verdadeira inclusão envolve reconhecer as diferentes realidades sociais e, por consequência, a necessidade de políticas que atendam às especificidades de cada grupo. Assim, a afirmação de que a resposta está correta é sustentada pela proposição de que a discussão sobre “todos” deve ser intensivamente reavaliada.

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