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Questão FC115121

Texto 2A2-I O termo “refugiado ambiental” é utilizado para se referir às pessoas que fogem de onde vivem, em razão de problemas como seca, erosão dos solos, desertificação, inundaç

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2021

Texto 2A2-I

O termo “refugiado ambiental” é utilizado para se referir às pessoas que fogem de onde vivem, em razão de problemas como seca, erosão dos solos, desertificação, inundações, desmatamento, mudanças climáticas, entre outros. A migração causada por eventos climáticos não é nova, mas tende a intensificar-se. O tema é bastante atual, mas, na obra Vidas Secas, o escritor Graciliano Ramos já tratava, embora com outras palavras, dos refugiados do clima do semiárido brasileiro.

Vidas Secas não é um romance de seca, no entanto. A centralidade dessa obra literária está em um “ano bom”, ou seja, um ano de chuvas na caatinga. O sétimo capítulo, localizado bem no centro da obra, composta por 13 capítulos, é intitulado “Inverno”, o que remete ao período de chuvas na região. Essa visão contraria certa leitura superficial da obra.

Graciliano Ramos acreditava em um mundo com mais justiça social e menos desigualdades no Nordeste, para o que era necessário transformar o modelo de sociedade extremamente perverso que caracterizava as relações sociais no meio rural.

Ao mostrar a vida da uma família de sertanejos durante um ano de “inverno”, com relativa segurança e estabilidade, o escritor alagoano questionou as relações sociais excludentes e tensivas, que impediam essa família de viver com mais estabilidade no Nordeste brasileiro.

Na obra, quando a família ocupou uma fazenda abandonada, no fim de uma seca, o vaqueiro parecia satisfeito.

Mas suas esperanças esmoreceram, pois as chuvas vieram e, com elas, também o proprietário da fazenda, sob o domínio do qual o vaqueiro passou a viver, sendo humilhado, enganado, animalizado.

Somente com muita insistência, Fabiano conseguiu ficar trabalhando ali como vaqueiro. Moraria com a família pouco “mais de um ano” numa “casa velha” da fazenda.

Para o escritor de Vidas Secas, a opressão à família de Fabiano era causada por questões sociais, não pela seca. Caso tivesse acesso à terra e à água, a família conseguiria obter o sustento, como resultado do seu esforço e trabalho.

A condição climática natural da caatinga era instrumentalizada pelos latifundiários para a exploração de uma população extremamente vulnerável à seca, como era o caso da família de Fabiano e sinhá Vitória.

A concentração fundiária era, e continua sendo, uma das formas mais perversas de impedir a autonomia dos pequenos produtores rurais do semiárido brasileiro. O romance denuncia a realidade social dos sertanejos pobres que viviam no Nordeste da época, cujo cotidiano era marcado pela opressão, humilhação, miséria, espoliação econômica e extremas privações, sobretudo nos períodos de seca.

Internet: <https://www.letrasambientais.org.br> (com adaptações).

Com relação às ideias do texto 2A2-I, julgue o item seguinte.

Segundo o texto, o romance Vidas Secas limita-se a criticar a seca e as privações causadas por ela.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Comentário: A afirmação de que o romance Vidas Secas se limita a criticar a seca e as privações resultantes é incorreta. O texto ressalta que a obra de Graciliano Ramos vai além, abordando de forma contundente questões sociais, principalmente a exploração da população vulnerável no contexto do semiárido brasileiro.
Um ponto crucial mencionado é que a opressão enfrentada pela família de Fabiano é atribuída a estruturas sociais injustas e não meramente ao fenômeno da seca. O autor indica que, se tivessem acesso à terra e à água, a família poderia prosperar, evidenciando que o problema central está na concentração fundiária e nas relações de poder que perpetuam a desigualdade. Assim, o texto reforça que, mesmo em um "ano bom", ou seja, em um período de chuvas, as adversidades não decorrem apenas da natureza, mas principalmente das condições sociais opressivas que continuam a afetar a vida dos sertanejos. Ao enfatizar que a centralidade da narrativa está no "inverno", o texto nos direciona a uma leitura mais profunda e crítica, que desmistifica a visão simplista de uma obra que apenas expõe a seca.

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