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Questão FC115133

À procura da infância Procuro ouvir na voz do vento o eco perdido da minha infância. E no riso franco das criancinhas eu vislumbro o meu riso antigo. Procuro nas ruas desertas e si

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2021

À procura da infância

Procuro ouvir na voz do vento
o eco perdido da minha infância.
E no riso franco das criancinhas
eu vislumbro o meu riso antigo.
Procuro nas ruas desertas e silenciosas
o canto alegre das cirandas
e as minhas correrias do tempo recuado.
Dentro daquela avenida asfaltada,
onde rolam automóveis de luxo,
eu busco a minha ruazinha feia e pobre.
Procuro ver nas bonecas de hoje,
tão lindas, de tranças sedosas, a bonequinha de trapo que eu embalei nos meus braços.
Procuro encontrar no rosto das neocomungantes
traços de minha inocência e a primeira emoção daquela que ficou
no tempo. Procuro descobrir, desesperada,
na face ingênua das crianças,
a minha pureza perdida.
Procuro em vão, pois não encontrarei jamais vestígios da minha infância feliz,
que os anos guardaram no seu abismo.

Anilda Leão. In: Chão de pedras. Maceió: Caetés, 1961.

A partir da leitura do poema precedente, escrito por Anilda Leão, poetisa alagoana, julgue o item a seguir, relativo às ideias e aos aspectos linguísticos do texto.

Infere-se do poema que o eu lírico encontrou uma forma de reaver momentos de sua infância.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Comentário: A afirmação em questão é considerada ERRADA ao analisar o poema de Anilda Leão. O eu lírico expressa um anseio profundo por reviver momentos da sua infância, mas suas reflexões revelam uma procura infrutífera. Desde o início, ele busca nas memórias e nos elementos ao seu redor uma conexão com o passado, como o riso das crianças e as ruas desertas, que despertam lembranças. No entanto, a conclusão do poema é bastante clara quando o eu lírico diz: “Procuro em vão, pois não encontrarei jamais vestígios da minha infância feliz.” Aqui, a utilização de “em vão” denota a frustração de uma busca sem sucesso, indicando que não há possibilidades de recuperar o que ficou para trás. Ao mencionar o “abismo” do tempo, a poeta sugere que as experiências da infância estão irremediavelmente perdidas. Assim, a declaração de que o eu lírico encontrou uma forma de reaver momentos de sua infância contraria seu clamor por um passado distante, reforçando que a busca é, na verdade, uma forma de lamento pela irreversibilidade do tempo.

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