Questão FC115161
Tem gente com fome Trem sujo da Leopoldina, Correndo correndo, Parece dizer: Tem gente com fome, Tem gente com fome, Tem gente com fome. Só nas estações, Quando vai parando, Lentam
Interpretação de Textos (Compreensão)
CEBRASPE (CESPE) · 2020
Trem sujo da Leopoldina,
Correndo correndo,
Parece dizer:
Tem gente com fome,
Tem gente com fome,
Tem gente com fome.
Só nas estações,
Quando vai parando,
Lentamente,
Começa a dizer:
Se tem gente com fome,
Dai de comer…
Se tem gente com fome,
Dai de comer…
Se tem gente com fome,
Dai de comer…
Mas o freio de ar,
Todo autoritário,
manda o trem calar:
Psiuuuuu…
Lá vai o trem com o menino
lá vai a vida a rodar
lá vai ciranda e destino
cidade e noite a girar
lá vai o trem sem destino
pro dia novo encontrar
correndo vai pela terra
vai pela serra
vai pelo mar
cantando pela serra do luar
correndo entre as estrelas a voar
no ar
piuí! piuí piuí
no ar
piuí piuí piuí
adeus meu grupo escolar
adeus meu anzol de pescar
adeus menina que eu quis amar
que o trem me leva e nunca mais vai parar
A partir da leitura dos fragmentos dos poemas de Solano Trindade, publicado em 1961, e de Ferreira Gullar, de 1976, julgue o item a seguir.
Embora ambos os fragmentos recorram à imagem do trem em movimento, eles se distinguem pela denúncia à desigualdade social, presente no texto de Trindade e ausente no de Gullar.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Análise dos Poemas: Ao nos debruçarmos sobre os fragmentos dos poemas de Solano Trindade e Ferreira Gullar, é evidente que ambos utilizam a metáfora do trem, porém, a carga simbólica que cada um transporta é profundamente diferente.
No poema de Trindade, o trem, já descrito como "sujo", é um símbolo que carrega a urgência da desigualdade social: a repetição da frase "Tem gente com fome" revela a gravidade da situação de vulnerabilidade e a necessidade de ação. Quando o trem para, o pedido implícito de "Dai de comer..." clama pela responsabilidade social, sublinhando que a fome é uma realidade que não pode ser ignorada. O "freio de ar", ao silenciar essa voz, sugere uma opressão existente nas estruturas sociais que coíbem a luta por justiça.
Em contraste, Ferreira Gullar nos apresenta um trem que simboliza a passagem do tempo e as transições da vida. Nesse poema, não há traços de injustiça ou referência à miséria, mas sim uma contemplação poética sobre despedidas e novos começos, com um tom nostálgico e um foco nas experiências pessoais.
Portanto, ao afirmar que "embora ambos os fragmentos recorram à imagem do trem em movimento, eles se distinguem pela denúncia à desigualdade social, presente no texto de Trindade e ausente no de Gullar", estamos reconhecendo que o primeiro carrega um grito de alerta social, enquanto o segundo se perde nas trilhas da introspecção. A afirmação é, assim, CERTA.
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