Questão FC115173
Tem gente com fome Trem sujo da Leopoldina, Correndo correndo, Parece dizer: Tem gente com fome, Tem gente com fome, Tem gente com fome. Só nas estações, Quando vai parando, Lentam
Tipologia e Gênero Textual
CEBRASPE (CESPE) · 2020
Trem sujo da Leopoldina,
Correndo correndo,
Parece dizer:
Tem gente com fome,
Tem gente com fome,
Tem gente com fome.
Só nas estações,
Quando vai parando,
Lentamente,
Começa a dizer:
Se tem gente com fome,
Dai de comer…
Se tem gente com fome,
Dai de comer…
Se tem gente com fome,
Dai de comer…
Mas o freio de ar,
Todo autoritário,
manda o trem calar:
Psiuuuuu…
Lá vai o trem com o menino
lá vai a vida a rodar
lá vai ciranda e destino
cidade e noite a girar
lá vai o trem sem destino
pro dia novo encontrar
correndo vai pela terra
vai pela serra
vai pelo mar
cantando pela serra do luar
correndo entre as estrelas a voar
no ar
piuí! piuí piuí
no ar
piuí piuí piuí
adeus meu grupo escolar
adeus meu anzol de pescar
adeus menina que eu quis amar
que o trem me leva e nunca mais vai parar
A partir da leitura dos fragmentos dos poemas de Solano Trindade, publicado em 1961, e de Ferreira Gullar, de 1976, julgue o item a seguir.
O emprego de onomatopeias nos poemas para a recriação poética do trem é herança das vanguardas modernistas: no poema de Gullar, compõe a paisagem da memória do poeta; no poema de Trindade, é veículo para a crítica social que o texto enuncia.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
O item é certo porque ambos os poemas usam onomatopeias para recriar sons e o movimento do trem, técnica que vem das vanguardas modernistas, por exemplo, do Futurismo, que aproximou a poesia da sonoridade e da realidade concreta.
No poema de Ferreira Gullar, o “piuí piuí” atua como elemento lírico ligado à memória do eu-poético, evocando infância, escola e afetos, e assim compõe a paisagem íntima e sonora da recordação.
No poema de Solano Trindade, o som e a repetição “tem gente com fome” têm função crítica, denunciando desigualdade, e o “Psiuuuuu” do freio simboliza a repressão autoritária que cala o clamor popular, portanto serve à crítica social.
Logo, a afirmação corresponde à função distinta que a onomatopeia assume em cada poema.
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