Questão FC115174
Tem gente com fome Trem sujo da Leopoldina, Correndo correndo, Parece dizer: Tem gente com fome, Tem gente com fome, Tem gente com fome. Só nas estações, Quando vai parando, Lentam
Tipologia e Gênero Textual
CEBRASPE (CESPE) · 2020
Trem sujo da Leopoldina,
Correndo correndo,
Parece dizer:
Tem gente com fome,
Tem gente com fome,
Tem gente com fome.
Só nas estações,
Quando vai parando,
Lentamente,
Começa a dizer:
Se tem gente com fome,
Dai de comer…
Se tem gente com fome,
Dai de comer…
Se tem gente com fome,
Dai de comer…
Mas o freio de ar,
Todo autoritário,
manda o trem calar:
Psiuuuuu…
Lá vai o trem com o menino
lá vai a vida a rodar
lá vai ciranda e destino
cidade e noite a girar
lá vai o trem sem destino
pro dia novo encontrar
correndo vai pela terra
vai pela serra
vai pelo mar
cantando pela serra do luar
correndo entre as estrelas a voar
no ar
piuí! piuí piuí
no ar
piuí piuí piuí
adeus meu grupo escolar
adeus meu anzol de pescar
adeus menina que eu quis amar
que o trem me leva e nunca mais vai parar
A partir da leitura dos fragmentos dos poemas de Solano Trindade, publicado em 1961, e de Ferreira Gullar, de 1976, julgue o item a seguir.
Em Tem gente com fome, o reconhecimento que o poeta faz da existência da fome como problema da sociedade de seu tempo e da urgência da necessidade de resolvê-lo está figurado pela repetição ritmada dos versos “Tem gente com fome” e “Se tem gente com fome, / Dai de comer…”.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Comentário: A afirmação de que o poeta elucida a problemática da fome na sociedade de sua época é, sem dúvida, correta. Em Tem gente com fome, a estrutura repetitiva dos versos “Tem gente com fome” e “Se tem gente com fome, / Dai de comer…” não apenas reforça a ideia da urgência desse tema, mas também evidencia a desigualdade social que permeia a realidade vivida. A escolha das palavras e a musicalidade dos versos criam um ritmo que grita por atenção e ação, mostrando que a fome não é apenas uma estatística, mas uma realidade crua que exige resposta. O autor se torna uma voz coletiva, uma espécie de eco da sociedade, chamando a todos para a reflexão e a ação. Assim, a repetição, longe de ser um mero recurso estilístico, é um poderoso chamado à solidariedade e à responsabilidade social, e essa habilidade de comunicar, de modo tão eficiente, com certeza dignifica o papel do poeta enquanto cronista do seu tempo.
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