Questão FC115175
Tem gente com fome Trem sujo da Leopoldina, Correndo correndo, Parece dizer: Tem gente com fome, Tem gente com fome, Tem gente com fome. Só nas estações, Quando vai parando, Lentam
Tipologia e Gênero Textual
CEBRASPE (CESPE) · 2020
Trem sujo da Leopoldina,
Correndo correndo,
Parece dizer:
Tem gente com fome,
Tem gente com fome,
Tem gente com fome.
Só nas estações,
Quando vai parando,
Lentamente,
Começa a dizer:
Se tem gente com fome,
Dai de comer…
Se tem gente com fome,
Dai de comer…
Se tem gente com fome,
Dai de comer…
Mas o freio de ar,
Todo autoritário,
manda o trem calar:
Psiuuuuu…
Solano Trindade. O poeta do povo. São Paulo: Ediouro, 2008.
Lá vai o trem com o menino
lá vai a vida a rodar
lá vai ciranda e destino
cidade e noite a girar
lá vai o trem sem destino
pro dia novo encontrar
correndo vai pela terra
vai pela serra
vai pelo mar
cantando pela serra do luar
correndo entre as estrelas a voar
no ar
piuí! piuí piuí
no ar
piuí piuí piuí
adeus meu grupo escolar
adeus meu anzol de pescar
adeus menina que eu quis amar
que o trem me leva e nunca mais vai parar
Ferreira Gullar. Toda poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 2015.
A partir da leitura dos fragmentos dos poemas de Solano Trindade, publicado em 1961, e de Ferreira Gullar, de 1976, julgue o item a seguir.
No fragmento do poema de Ferreira Gullar, o paralelo entre os percursos do “trem” e da “vida”, nos dois primeiros versos, é desfeito pelo último verso: “que o trem me leva e nunca mais vai parar”.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
O item foi julgado errado porque o último verso não desfaz o paralelo metafórico, ele o confirma e aprofunda.
Nos dois primeiros versos, “Lá vai o trem com o menino / lá vai a vida a rodar”, o trem funciona como imagem da vida em movimento, estabelecendo uma equivalência entre os percursos.
O verso final, “que o trem me leva e nunca mais vai parar”, não contradiz essa equivalência, antes enfatiza a inexorabilidade e a continuidade do movimento: a vida, como o trem, segue adiante sem retorno.
Portanto, a leitura correta é que o poema reforça o paralelo, logo a afirmação que diz que ele é desfeito está incorreta.
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