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Questão FC115324

Texto Crianças são as principais vítimas da crise Mais de 17 milhões de brasileiros até 14 anos de idade sobreviveram em 2020 abaixo da linha de pobreza, segundo dados do Instituto

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2022

Texto

Crianças são as principais vítimas da crise

Mais de 17 milhões de brasileiros até 14 anos de idade sobreviveram em 2020 abaixo da linha de pobreza, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nesse contingente — equivalente a 38,6% da população nessa faixa etária —, 3,9 milhões estavam em situação extrema, a de miséria. Além dos mais jovens, a pobreza atinge com mais força as pessoas de cor preta ou parda. São quase três vezes mais negros do que brancos na extrema pobreza. Cerca de 8,8 milhões abaixo da linha de miséria são pretos ou pardos, o que representa quase 75% do total de pessoas nessa condição. Os brancos na miséria, em 2020, totalizavam 3,2 milhões. Entre os brasileiros abaixo da linha de pobreza, 36,8 milhões eram negros, enquanto os brancos somavam quase 13,6 milhões.

Internet: <economia.uol.com.br> (com adaptações).

Considerando o texto precedente, julgue o próximo item.

As desigualdades de raça apontadas no texto se devem aos valores, hábitos e costumes historicamente típicos da população afro-brasileira.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Comentário: Afirmar que as desigualdades de raça mencionadas no texto são provenientes dos valores, hábitos e costumes historicamente típicos da população afro-brasileira é, no mínimo, uma simplificação grosseira e uma abordagem equivocada. O texto apresenta dados que revelam uma realidade alarmante acerca da pobreza no Brasil, especialmente entre as crianças e os negros, mas não se aprofunda nas causas dessas desigualdades. Para compreender o que realmente está por trás desse cenário, é crucial considerar o contexto histórico que abrange séculos de opressão e injustiça social. Após a abolição da escravatura em 1888, a sociedade brasileira não apenas falhou em proporcionar oportunidades iguais para os afrodescendentes, mas perpetuou um sistema que favorece a exclusão e a marginalização. O que se observa, portanto, é que a disparidade socioeconômica não é fruto de costumes ou valores de uma população, mas de uma herança histórica de desigualdade que ainda ressoa nos dias atuais.
Assim, é precipitado atribuir essa condição a aspectos culturais de um grupo que, historicamente, tem sido vítima, e não agente, de sua situação.

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