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Questão FC115328

Texto Quando comecei a me interessar pela Idade Média, era ela uma época definida como um período intermediário entre a Antiguidade e os Tempos Modernos. Dava-se como seu início a

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2022

Texto

Quando comecei a me interessar pela Idade Média, era ela uma época definida como um período intermediário entre a Antiguidade e os Tempos Modernos. Dava-se como seu início a queda institucional do Império Romano do Ocidente, em 476, e como seu fim, a tomada de Constantinopla pelos turcos em 1453, ou a descoberta (inconsciente) da América por Colombo em 1492.

Até o fim do século XVIII, a imagem dominante da Idade Média, elaborada e imposta pelos humanistas e depois pelos filósofos das luzes, era a de uma idade bárbara e obscurantista, dominada pelos senhores incultos e predadores e por uma Igreja opressiva e que desprezava o verdadeiro saber.

Resisti à imagem cinzenta e cansativa de uma Idade Média dominada por uma concepção essencialmente jurídica do regime feudal e por camponeses. Acredito numa longa Idade Média, porque não vejo a ruptura do Renascimento. É preciso esperar o fim do século XVIII para que a ruptura se produza: a Revolução Industrial na Inglaterra e, depois, a Revolução Francesa, nos domínios político, social e mental, trancam com chave o fim do período medieval.

Jacques Le Goff. Uma longa Idade Média. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008, p. 12-14 (com adaptações).

Tendo como referência inicial o fragmento de texto precedente, bem como acerca de aspectos marcantes da trajetória histórica ocidental, julgue o item.

O texto apresentado indica a existência de um consenso de que a Renascença dos séculos XV e XVI rompeu radicalmente com os padrões culturais da Idade Média.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Comentário: O enunciado da questão afirma que há um consenso sobre a Renascença dos séculos XV e XVI ter rompido radicalmente com os padrões culturais da Idade Média. Contudo, esta afirmativa é imprecisa. Como o autor Jacques Le Goff destaca em seu texto, a perspectiva tradicional que entende a Renascença como uma ruptura não é compartilhada por todos os historiadores. Ele defende uma visão de uma “longa Idade Média”, onde a real quebra de paradigmas ocorre somente com o fim do século XVIII, com a Revolução Industrial e a Revolução Francesa. Isso demonstra que, segundo Le Goff, a transição não é abrupta e sim um processo gradual. Portanto, segundo a cúmulo da análise apresentada, a afirmação não reflete a complexidade das transformações culturais que marcaram a passagem entre essas eras, corroborando a resposta como ERRADA.

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