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Questão FC115337

A comunicação tem-se transformado em um setor estratégico da economia, da política e da cultura. Da guerra, ela sempre o foi. A inclusão da informação e da comunicação nas estratég

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2022

A comunicação tem-se transformado em um setor estratégico da economia, da política e da cultura. Da guerra, ela sempre o foi. A inclusão da informação e da comunicação nas estratégias bélicas tem aumentado no correr de milênios.

No século VII a.C., o chinês Sun Tzu, em A arte da guerra, dizia que “toda guerra é embasada em dissimulação”, referindo-se à distribuição de informações falsas. Contudo, quem mais desenvolveu esse conceito foi o general prussiano Carl von Clausewitz, em seu amplo tratado Da guerra (Vom Kriege), publicado em 1832. No capítulo VI, Clausewitz afirma: “Grande parte das notícias recebidas na guerra é contraditória, uma parte ainda maior é falsa e a maior parte de todas é incerta. Em suma, a maioria das notícias é falsa, e o medo do ser humano reforça a mentira e a inverdade. As pessoas conscientes que seguem as insinuações alheias tendem a permanecer indecisas no lugar; acreditam ter encontrado as circunstâncias distintas do que imaginavam. Na guerra, tudo é incerto, e os cálculos devem ser feitos com meras grandezas variáveis. Eles direcionam a observação apenas para magnitudes materiais, enquanto todo o ato de guerra está imbuído de forças e efeitos espirituais”.

Trata-se de desinformar, e não de informar. A desinformação é a informação falsa, incompleta, desorientadora. É propagada para enganar um público determinado. Seu fim último é o isolamento do inimigo em um conflito concreto, é o de mantê-lo em um cerco informativo. Os nazistas levaram essa estratégia do engano quase à perfeição.

Atualmente, pratica-se tanto o cerco econômico, militar e diplomático quanto o informativo. Já não se trata apenas de isolar o inimigo. As novas tecnologias permitem aos militares intervir nos conflitos bélicos a distância, direcionando até mesmo os foguetes com a ajuda de GPS, a partir de um satélite. A telecomunicação militar apoiada em satélites e a eletrônica determinarão as guerras do futuro imediato. Fala-se já de bombas eletrônicas (E) que podem paralisar estabelecimentos neurais da sociedade moderna, como hospitais, centrais elétricas, oleodutos etc., destruindo os seus circuitos eletrônicos. Parece que hoje já se pode fazer a guerra sem bombas atômicas. As bombas E do tipo FCG (flux compression generator — gerador de compressão de fluxo), cujo emprego não está limitado às grandes potências bélicas, têm o mesmo efeito e fazem parte dos arsenais de alguns exércitos, e consistem em comprimir, mediante uma explosão, um campo eletromagnético, como um raio, sem os custos, os efeitos colaterais ou o enorme alcance de um dispositivo de pulso eletromagnético nuclear.

Vicente Romano. Presente e futuro imediato das telecomunicações. São Paulo em Perspectiva. Internet: <www.scielo.br> (com adaptações).

Com relação às ideias do texto CB4A1-I, julgue o item que se segue.

Conforme o texto, o uso de bombas eletrônicas é restrito, porque nem todos os países ainda têm condições de produzir um dispositivo tão caro e com alcance inimaginável.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Comentário: A alternativa apresentada está ERRADA porque o texto indica que o uso de bombas eletrônicas não é restrito apenas a países desenvolvidos.
Em um trecho do texto, menciona-se que "as bombas E do tipo FCG... fazem parte dos arsenais de alguns exércitos", indicando que existe uma disseminação desse tipo de armamento além das grandes potências bélicas.
Portanto, ao afirmar que "nem todos os países ainda têm condições de produzir um dispositivo tão caro e com alcance inimaginável", a alternativa contradiz a ideia de que há uma inclusão de exércitos menores nessa tecnologia.
Além disso, o texto especifica que essas bombas não têm os mesmos custos ou efeitos colaterais de armamentos mais tradicionais, reforçando a ideia de que sua produção e uso podem ser mais acessíveis.
Assim, a interpretação correta do texto nos leva a entender que a afirmação da alternativa não reflete a realidade apresentada, tornando-a imprecisa e enganosa.

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