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Questão FC115484

Texto CB2A1AAA O jeitinho brasileiro é uma forma de corrupção? Se a regra transgredida não causa prejuízo, temos o “jeitinho” positivo e, direi eu, ético. Por exemplo: estou na fil

Semântica

CEBRASPE (CESPE) · 2018

Texto CB2A1AAA

O jeitinho brasileiro é uma forma de corrupção? Se a regra transgredida não causa prejuízo, temos o “jeitinho” positivo e, direi eu, ético. Por exemplo: estou na fila; chega uma pessoa precisando pagar sua conta que vence naquele dia e pede para passar na frente. Não há o que reclamar dessa forma de “jeitinho”.

A questão sociológica que o “jeitinho” apresenta, porém, é outra. Ela mostra uma relação ruim com a lei geral, com a norma desenhada para todos os cidadãos, com o pressuposto de que essa regra universal produz legalidade e cidadania. Eu pago meus impostos integralmente e, por isso, posso exigir dos funcionários públicos do meu país. Agora, se eu dou um jeito nos meus impostos porque o delegado da receita federal é meu amigo ou parente e faz a tal “vista grossa”, aí temos o “jeitinho” virando corrupção. O “jeitinho” se confunde com corrupção e é transgressão, porque desiguala o que deveria ser obrigatoriamente tratado com igualdade. O que nos enlouquece hoje no Brasil não é a existência do jeitinho como ponte negativa entre a lei e a pessoa especial que dela se livra, mas sim a persistência de um estilo de lidar com a lei, marcadamente aristocrático, que, de certa forma, induz o chefe, o diretor, o dono, o patrão, o governador, o presidente a passar por cima da lei. A mídia tem um papel básico na discussão desses casos de amortecimento, esquecimento e “jeitinho”, porque ela ajuda a politizar o velho hábito que insiste em situar certos cargos e as pessoas que os empossam como acima da lei, do mesmo modo e pela mesma lógica de hierarquias que colocam certas pessoas (negros, pobres e mulheres) implacavelmente debaixo da lei.

Roberto da Matta. O jeitinho brasileiro. Internet: <https://maniadehistoria.wordpress.com> (com adaptações).

A respeito dos aspectos linguísticos do texto CB2A1AAA, julgue o seguinte item.

A palavra “Agora” exprime uma circunstância temporal.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A afirmativa foi julgada ERRADA porque interpreta incorretamente a palavra “Agora”.

No trecho “Eu pago meus impostos integralmente e, por isso, posso exigir... Agora, se eu dou um jeito nos meus impostos...”, “Agora” não indica tempo, mas introduz uma ideia contrária ao período anterior, funcionando como conjunção adversativa, podendo ser substituída por “porém” ou “contudo”.

Quando “agora” expressa tempo, atua como advérbio temporal, por exemplo: “Preciso de uma resposta agora.”, aí sim há referência temporal literal.

Portanto, no contexto da passagem fornecida, a função é adversativa, não temporal, justificando o julgamento ERRADO da afirmação.

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