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Questão FC115575

A modernidade é um contrato. Todos nós aderimos a ele no dia em que nascemos, e ele regula nossa vida até o dia em que morremos. Pouquíssimos entre nós são capazes de rescindi-lo o

Semântica

CEBRASPE (CESPE) · 2019

A modernidade é um contrato. Todos nós aderimos a ele no dia em que nascemos, e ele regula nossa vida até o dia em que morremos. Pouquíssimos entre nós são capazes de rescindi-lo ou transcendê-lo. Esse contrato configura nossa comida, nossos empregos e nossos sonhos; ele decide onde moramos, quem amamos e como morremos.

À primeira vista, a modernidade parece ser um contrato extremamente complicado, por isso poucos tentam compreender no que exatamente se inscreveram. É como se você tivesse baixado algum software e ele te solicitasse assinar um contrato com dezenas de páginas em “juridiquês”; você dá uma olhada nele, passa imediatamente para a última página, tica em “concordo” e esquece o assunto. Mas a modernidade, de fato, é um contrato surpreendentemente simples. O contrato interno pode ser resumido em uma única frase: humanos concordam em abrir mão de significado em troca de poder.

Yuval Noah Harari. Homo Deus: uma breve história do amanhã. São Paulo: Companhia das Letras, 2016 (com adaptações).

Considerando as ideias, os sentidos e os aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir.

No trecho “tica em ‘concordo’” , o verbo ticar é sinônimo de clicar, mas difere deste por ser de uso informal.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A afirmativa foi julgada ERRADA porque confunde sentido e registro.

O verbo ticar significa assinalar ou marcar com um tique, ou seja, indicar uma opção (por exemplo, colocar o sinal de visto numa caixa). Já clicar refere‑se a acionar o botão do mouse ou do trackpad. As ações são correlatas num ambiente digital, mas não são sinônimos: pode-se clicar para ticar, mas os verbos descrevem atos diferentes.

Além disso, ticar não é termo exclusivamente informal; aparece em registros padronizados. No texto, o autor marca como coloquial apenas "juridiquês", o que indica que não considerou ticar de caráter informal.

Portanto a afirmação que equipara os verbos e qualifica ticar como informal é incorreta.

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