Questão FC115594
A modernidade é um contrato. Todos nós aderimos a ele no dia em que nascemos, e ele regula nossa vida até o dia em que morremos. Pouquíssimos entre nós são capazes de rescindi-lo o
Regência
CEBRASPE (CESPE) · 2019
À primeira vista, a modernidade parece ser um contrato extremamente complicado, por isso poucos tentam compreender no que exatamente se inscreveram. É como se você tivesse baixado algum software e ele te solicitasse assinar um contrato com dezenas de páginas em “juridiquês”; você dá uma olhada nele, passa imediatamente para a última página, tica em “concordo” e esquece o assunto. Mas a modernidade, de fato, é um contrato surpreendentemente simples. O contrato interno pode ser resumido em uma única frase: humanos concordam em abrir mão de significado em troca de poder.
Yuval Noah Harari. Homo Deus: uma breve história do amanhã. São Paulo: Companhia das Letras, 2016 (com adaptações).
No trecho “poucos tentam compreender no que exatamente se inscreveram”, a substituição de “no que” por o que comprometeria a correção gramatical do texto.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A afirmação foi julgada CERTO porque a substituição proposta violaria a regência verbal do verbo inscrever-se.
O verbo inscrever-se é transitivo indireto, ou seja, exige a preposição "em" para ligar-se ao complemento. No trecho original, a expressão no que equivale a "em + o que" e funciona como esse complemento: "compreender em que (coisa) se inscreveram".
Retirar a preposição e usar apenas o que resultaria em construção incorreta, como em "*compreender o que se inscreveram", que carece do elemento exigido pelo verbo. Por isso, a avaliação de que a substituição comprometeria a correção gramatical é correta.
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