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Questão FC115612

Texto para o item. De mim, pessoa, vivo para a minha mulher, que tudo modo-melhor merece, e para a devoção. Bem-querer de minha mulher foi que me auxiliou, rezas dela, graças. Amor

Linguagem

CEBRASPE (CESPE) · 2019

Texto para o item.

De mim, pessoa, vivo para a minha mulher, que tudo modo-melhor merece, e para a devoção. Bem-querer de minha mulher foi que me auxiliou, rezas dela, graças. Amor vem de amor. Digo. Em Diadorim, penso também — mas Diadorim é a minha neblina.

[...]

Diadorim e eu, nós dois. A gente dava passeios. Com assim, a gente se diferenciava dos outros — porque jagunço não é muito de conversa continuada nem de amizades estreitas: a bem eles se misturam e desmisturam, de acaso, mas cada um é feito um por si. De nós dois juntos, ninguém nada não falava. Tinham a boa prudência. Dissesse um, caçoasse, digo — podia morrer. Se acostumavam de ver a gente parmente. Que nem mais maldavam. E estávamos conversando, perto do rego — bicame de velha fazenda, onde o agrião dá flor. Desse lusfús, ia escurecendo. Diadorim acendeu um foguinho, eu fui buscar sabugos. Mariposas passavam muitas, por entre as nossas caras, e besouros graúdos esbarravam. Puxava uma brisbisa. O ianso do vento revinha com o cheiro de alguma chuva perto. E o chiim dos grilos ajuntava o campo, aos quadrados. Por mim, só, de tantas minúcias, não era o capaz de me alembrar, não sou de à parada pouca coisa; mas a saudade me alembra. Que se hoje fosse. Diadorim me pôs o rastro dele para sempre em todas essas quisquilhas da natureza. Sei como sei. Som como os sapos sorumbavam. Diadorim, duro sério, tão bonito, no relume das brasas. Quase que a gente não abria boca; mas era um delém que me tirava para ele — o irremediável extenso da vida. Por mim, não sei que tontura de vexame, com ele calado eu a ele estava obedecendo quieto.

João Guimarães Rosa. Grande sertão: veredas. 19.a ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001, p. 40-5 (com adaptações).

A respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto de João Guimarães Rosa, julgue o item a seguir.

Os trechos “Se acostumavam de ver a gente parmente” e “Quase que a gente não abria boca”, embora apresentem marcas da linguagem do homem sertanejo, estão de acordo com a norma padrão da língua portuguesa.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A afirmação é ERRADO porque os trechos não obedecem à norma-padrão, embora representem a fala sertaneja do narrador. Em "Se acostumavam de ver a gente parmente" há três desvios: a colocação do pronome oblíquo átono no início da frase, quando a norma exige ênclise após o verbo ("acostumavam-se"); a regência do verbo, que exige a preposição "a" ("acostumar‑se a"); e o vocábulo neologismo "parmente", criação literária fora da norma.

Em "Quase que a gente não abria boca" há marcas coloquiais: o uso de "a gente" em lugar de "nós" e a construção "quase que" (partícula expletiva), também informal. Formas correcas na norma seriam, por exemplo, Acostumavam-se a ver-nos juntos e Quase não abríamos a boca.

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