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Questão FC115615

A modernidade é um contrato. Todos nós aderimos a ele no dia em que nascemos, e ele regula nossa vida até o dia em que morremos. Pouquíssimos entre nós são capazes de rescindi-lo o

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2019

A modernidade é um contrato. Todos nós aderimos a ele no dia em que nascemos, e ele regula nossa vida até o dia em que morremos. Pouquíssimos entre nós são capazes de rescindi-lo ou transcendê-lo. Esse contrato configura nossa comida, nossos empregos e nossos sonhos; ele decide onde moramos, quem amamos e como morremos.

À primeira vista, a modernidade parece ser um contrato extremamente complicado, por isso poucos tentam compreender no que exatamente se inscreveram. É como se você tivesse baixado algum software e ele te solicitasse assinar um contrato com dezenas de páginas em “juridiquês”; você dá uma olhada nele, passa imediatamente para a última página, tica em “concordo” e esquece o assunto. Mas a modernidade, de fato, é um contrato surpreendentemente simples. O contrato interno pode ser resumido em uma única frase: humanos concordam em abrir mão de significado em troca de poder.

Yuval Noah Harari. Homo Deus: uma breve história do amanhã. São Paulo: Companhia das Letras, 2016 (com adaptações).

Considerando as ideias, os sentidos e os aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir.

Infere-se do texto que a modernidade impele o ser humano a tomar decisões com as quais ele não concorda.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Comentário: A afirmativa é ERRADA porque a interpretação do texto nos direciona a compreender que a modernidade, embora complexa, é um contrato que o ser humano assina, mas não necessariamente contrariado. O trecho "humanos concordam em abrir mão de significado em troca de poder" sugere que, de fato, as pessoas concordam com as cláusulas da modernidade, mesmo que não entendam suas nuances. O autor compara essa situação à aceitação de um software, em que a maioria apenas clica em “concordo” sem ler os detalhes. Assim, na essência, a modernidade não força o indivíduo a tomar decisões contra sua vontade; ao contrário, ele aceita os termos disponíveis, mesmo que de maneira desinformada. O elemento central é a concordância, mesmo que seja uma concordância superficial, diferentemente do que implica a afirmação de que as decisões são tomadas sem consentimento. Portanto, a conclusão de que a modernidade obriga o ser humano a decisões indesejadas não se sustenta no texto.

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