Questão FC115641
Texto para o item. De mim, pessoa, vivo para a minha mulher, que tudo modo-melhor merece, e para a devoção. Bem-querer de minha mulher foi que me auxiliou, rezas dela, graças. Amor
Interpretação de Textos (Compreensão)
CEBRASPE (CESPE) · 2019
De mim, pessoa, vivo para a minha mulher, que tudo modo-melhor merece, e para a devoção. Bem-querer de minha mulher foi que me auxiliou, rezas dela, graças. Amor vem de amor. Digo. Em Diadorim, penso também — mas Diadorim é a minha neblina.
[...]
Diadorim e eu, nós dois. A gente dava passeios. Com assim, a gente se diferenciava dos outros — porque jagunço não é muito de conversa continuada nem de amizades estreitas: a bem eles se misturam e desmisturam, de acaso, mas cada um é feito um por si. De nós dois juntos, ninguém nada não falava. Tinham a boa prudência. Dissesse um, caçoasse, digo — podia morrer. Se acostumavam de ver a gente parmente. Que nem mais maldavam. E estávamos conversando, perto do rego — bicame de velha fazenda, onde o agrião dá flor. Desse lusfús, ia escurecendo. Diadorim acendeu um foguinho, eu fui buscar sabugos. Mariposas passavam muitas, por entre as nossas caras, e besouros graúdos esbarravam. Puxava uma brisbisa. O ianso do vento revinha com o cheiro de alguma chuva perto. E o chiim dos grilos ajuntava o campo, aos quadrados. Por mim, só, de tantas minúcias, não era o capaz de me alembrar, não sou de à parada pouca coisa; mas a saudade me alembra. Que se hoje fosse. Diadorim me pôs o rastro dele para sempre em todas essas quisquilhas da natureza. Sei como sei. Som como os sapos sorumbavam. Diadorim, duro sério, tão bonito, no relume das brasas. Quase que a gente não abria boca; mas era um delém que me tirava para ele — o irremediável extenso da vida. Por mim, não sei que tontura de vexame, com ele calado eu a ele estava obedecendo quieto.
Tendo como referência o texto precedente, extraído da obra Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa, julgue o item a seguir.
O narrador evidencia sua própria tolerância em relação à rejeição dos demais jagunços à amizade que tinha com Diadorim.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Analisando a afirmação: O narrador, ao se referir à sua relação com Diadorim, não demonstra a presença de uma rejeição por parte dos outros jagunços; na verdade, ele menciona que “de nós dois juntos, ninguém nada não falava”, o que sugere uma aceitação velada. Além disso, a citação “tinham a boa prudência” indica que os jagunços preferem não se intrometer ou emitir juízos sobre essa amizade, possivelmente para evitar conflitos, dado que “dissesse um, caçoasse, digo — podia morrer”. Isso revela um ambiente de respeito silencioso, onde a prudência impera. Assim, o que se estabelece não é uma tolerância do narrador à rejeição, mas uma compreensão implícita da dinâmica social entre os jagunços, marcada pela cautela e pela ausência de comentários críticos sobre sua amizade. Portanto, a ideia de que há rejeição explícita ou que o narrador é tolerante a ela não encontra suporte no texto. A resposta está, portanto, ERRADA.
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