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Questão FC115643

Fabiano recebia na partilha a quarta parte dos bezerros e a terça dos cabritos. Mas como não tinha roça e apenas se limitava a semear na vazante uns punhados de feijão e milho, com

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2019

Fabiano recebia na partilha a quarta parte dos bezerros e a terça dos cabritos. Mas como não tinha roça e apenas se limitava a semear na vazante uns punhados de feijão e milho, comia da feira, desfazia-se dos animais, não chegava a ferrar um bezerro ou assinar a orelha de um cabrito. [...]

Consumidos os legumes, roídas as espigas de milho, recorria à gaveta do amo, cedia por preço baixo o produto das sortes. Resmungava, rezingava, numa aflição, tentando espichar os recursos minguados, engasgava-se, engolia em seco. Transigindo com outro, não seria roubado tão descaradamente. Mas receava ser expulso da fazenda. E rendia-se. [...]

Pouco a pouco o ferro do proprietário queimava os bichos de Fabiano. E quando não tinha mais nada para vender, o sertanejo endividava-se. Ao chegar a partilha, estava encalacrado, e na hora das contas davam-lhe uma ninharia.

Graciliano Ramos. Vidas secas. Rio de Janeiro: Record (com adaptações).

Com referência ao fragmento de texto apresentado, extraído da obra Vidas secas, de Graciliano Ramos, e aos aspectos sociais a ele relacionados, julgue o item a seguir.

Depreende-se do texto apresentado que o salário de Fabiano é o limite para a precária subsistência de sua família, tornando-o preso ao patrão por dívidas; no caso, trata- se de uma situação análoga à escravidão.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Comentário: O fragmento de Graciliano Ramos revela a dura realidade de Fabiano, um homem atado a um ciclo de dependência econômica e social. Ele recebe apenas uma fração dos animais, o que, por si só, já indica uma condição desfavorável. Fabiano depende quase inteiramente da generosidade do patrão, pois não possui terras e apenas cultiva modestamente feijão e milho. Essa situação o força a vender seus escassos recursos, criando um caminho sem saída que o leva a acumular dívidas. A frase que menciona “temor de ser expulso da fazenda” é um forte indicativo de como ele não tem controle sobre sua própria vida, uma característica clássica da escravidão, onde o indivíduo se torna preso pela necessidade. Portanto, podemos afirmar que a precariedade de sua subsistência atesta a veracidade da analogia feita na questão, reafirmando que a declaração está CERTA.

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