Questão FC115644
Texto para o item. Leito de folhas verdes Por que tardas, Jatir, que tanto a custo À voz do meu amor moves teus passos? Da noite a viração, movendo as folhas, Já nos cimos do bosqu
Interpretação de Textos (Compreensão)
CEBRASPE (CESPE) · 2019
À voz do meu amor moves teus passos?
Da noite a viração, movendo as folhas,
Já nos cimos do bosque rumoreja.
Eu sob a copa da mangueira altiva
Nosso leito gentil cobri zelosa
Com mimoso tapiz de folhas brandas,
Onde o frouxo luar brinca entre flores.
Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco,
Já solta o bogari mais doce aroma!
Como prece de amor, como estas preces,
No silêncio da noite o bosque exala.
Brilha a lua no céu, brilham estrelas,
Correm perfumes no correr da brisa,
A cujo influxo mágico respira-se
Um quebranto de amor, melhor que a vida!
A flor que desabrocha ao romper d’alva
Um só giro do sol, não mais, vegeta:
Eu sou aquela flor que espero ainda
Doce raio do sol que me dê vida.
Sejam vales ou montes, lago ou terra,
Onde quer que tu vás, ou dia ou noite,
Vai seguindo após ti meu pensamento;
Outro amor nunca tive: és meu, sou tua!
Meus olhos outros olhos nunca viram,
Não sentiram meus lábios outros lábios,
Nem outras mãos, Jatir, que não as tuas
A arazoia na cinta me apertaram.
Do tamarindo a flor jaz entreaberta,
Já solta o bogari mais doce aroma;
Também meu coração, como estas flores,
Melhor perfume ao pé da noite exala!
Não me escutas, Jatir! nem tardo acodes
À voz do meu amor, que em vão te chama!
Tupã! lá rompe o sol! do leito inútil
A brisa da manhã sacuda as folhas!
Depreende-se do texto que o eu lírico é originário de povos não indígenas do Brasil.
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Comentário do professor
Análise da Questão: Ao explorarmos o poema Leito de folhas verdes de Gonçalves Dias, é essencial observar a conexão íntima entre o eu lírico e a cultura indígena. O eu lírico expressa um profundo amor e anseio por Jatir, nome que carrega forte influência da língua Tupi, revelando uma ligação direta com a cultura indígena brasileira.
Ainda, ao chamar pelo deus Tupã, comum na mitologia Tupi-Guarani, o eu lírico reafirma suas raízes e crenças, indicando que se identifica com esses povos originários.
Além disso, termos como arazoia, que designa um cinto tradicional, e a descrição da natureza exuberante, como a mangueira e o tamarindo, reafirmam um cenário cultural que sugere uma representação indígena.
Diante disso, a alegação de que o eu lírico é de origens não indígenas carece de fundamentação. Portanto, a resposta está marcada como ERRADA, pois o poema emana as características de uma identidade indígena rica e vibrante.
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