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Questão FC115648

Cê lá faz ideia Tupac já dizia: “Algumas coisas nunca mudam...” Algumas coisas nunca mudam... Aí! São... regras do mundão. Perdi a conta de quantos escondem a bolsa se digo “Que ho

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2019

Cê lá faz ideia

Tupac já dizia:
“Algumas coisas nunca mudam...”
Algumas coisas nunca mudam...

Aí! São... regras do mundão.
Perdi a conta de quantos escondem a bolsa se digo
“Que horas são?”
Taxistas perguntam mais que policiais a mim.
Sim! Indescritível como é ruim.
Nasci vilão, só veneno.
Com o incentivo que me dão, errado tô se eu não virar memo.
Suor na cara, levando currículo do cara...
Até porque onde eu moro, buso não para.
Pé de barro, meio dia, inspirando piada nos boy,
transpirando medo nas tias.
Tudo é tão óbvio. Cê não vê que vai juntando ingrediente da bomba relógio
Eu sinto dor (Dor), eu sinto ódio (Ódio), é quente,
Sem nem saber o nome dessa gente
Católica, de bem, linda...
Cê já notou? Pior que nem falei minha cor ainda!

Cê lá faz ideia do que é ver vidro subir?
Alguém correr, quando avistar você? (Não?!)
Cê não faz ideia
Não faz ideia...

Emicida. Cê lá faz ideia.

Tendo como referência o fragmento da canção Cê lá faz ideia, de Emicida, e os aspectos sociais a ela relacionados, julgue o item a seguir.

Um dos aspectos abordados no fragmento apresentado, a maneira como a sociedade estigmatiza um indivíduo pode contribuir para a limitação da sua ação, como é o caso, por exemplo, de o indivíduo estigmatizado em razão de sua cor da pele.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Comentário: A canção Cê lá faz ideia de Emicida é um poderoso testemunho sobre a estigmatização social, destacando como essa condição impacta e limita a vida de indivíduos, especialmente aqueles que enfrentam preconceito racial. Ao dizer "Perdi a conta de quantos escondem a bolsa se digo 'Que horas são?'", o eu lírico evidencia a desconfiança que ele provoca nas pessoas, um reflexo claro do estigma que sua aparência carrega.
Além disso, a frase "Nasci vilão, só veneno" aponta para um estereótipo que se cristaliza na sociedade, indicando como essas percepções distorcidas podem moldar o comportamento do indivíduo, fazendo com que ele seja visto como uma ameaça em vez de um ser humano.
O questionamento do autor, "Cê já notou? Pior que nem falei minha cor ainda!", salienta que a cor da pele é uma variável crucial na experiência de marginalização, intensificando o estigma. Portanto, a afirmação de que a estigmatização social, como a decorrente da cor da pele, limita a ação do indivíduo, é CERTA, pois os versos da canção capturam com precisão essa dinâmica prejudicial que afeta as oportunidades e a vivência das pessoas estigmatizadas.

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