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Questão FC115658

Texto Canção do exílio Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores,

Tipologia e Gênero Textual

CEBRASPE (CESPE) · 2019

Texto

Canção do exílio

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Gonçalves Dias. Canção do exílio. Internet: <dominiopublico.org.br>.

Tendo como referência o poema Canção do exílio, escrito pelo poeta Gonçalves Dias e publicado em 1846, julgue o item a seguir.

No verso “Não permita Deus que eu morra”, o eu lírico se dirige diretamente a Deus, tomando-o como seu interlocutor.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Comentário: A afirmação está ERRADA porque a palavra "Deus" não é usada aqui como vocativo, ou seja, como um chamado direto. No verso "Não permita Deus que eu morra", o eu lírico não está se dirigindo a Deus na forma de uma invocação, mas sim expressando uma súplica ou um desejo que se reflete na estrutura da frase.
Observe que, sintaticamente, "Deus" funciona como o sujeito da oração, que é apresentado em uma construção em que o verbo "permitir" está na forma negativa. Uma construção equivalente poderia ser formulada como "Que Deus não permita que eu morra", o que confirma que "Deus" é o agente da ação e não o interlocutor do eu lírico.
Se "Deus" fosse realmente um vocativo, como em um apelo direto, seria necessário isolá-lo por vírgulas: "Não permita, Deus, que eu morra". Dessa forma, a frase toda se configura como um clamor que se volta para Deus, mas sem a estrutura típica de um vocativo. Portanto, a função da palavra "Deus" neste contexto é bem distinta da ideia de um diálogo direto, o que fundamenta a resposta correta.

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