Questão FC115660
Texto para o item. De mim, pessoa, vivo para a minha mulher, que tudo modo-melhor merece, e para a devoção. Bem-querer de minha mulher foi que me auxiliou, rezas dela, graças. Amor
Tipologia e Gênero Textual
CEBRASPE (CESPE) · 2019
De mim, pessoa, vivo para a minha mulher, que tudo modo-melhor merece, e para a devoção. Bem-querer de minha mulher foi que me auxiliou, rezas dela, graças. Amor vem de amor. Digo. Em Diadorim, penso também — mas Diadorim é a minha neblina.
[...]
Diadorim e eu, nós dois. A gente dava passeios. Com assim, a gente se diferenciava dos outros — porque jagunço não é muito de conversa continuada nem de amizades estreitas: a bem eles se misturam e desmisturam, de acaso, mas cada um é feito um por si. De nós dois juntos, ninguém nada não falava. Tinham a boa prudência. Dissesse um, caçoasse, digo — podia morrer. Se acostumavam de ver a gente parmente. Que nem mais maldavam. E estávamos conversando, perto do rego — bicame de velha fazenda, onde o agrião dá flor. Desse lusfús, ia escurecendo. Diadorim acendeu um foguinho, eu fui buscar sabugos. Mariposas passavam muitas, por entre as nossas caras, e besouros graúdos esbarravam. Puxava uma brisbisa. O ianso do vento revinha com o cheiro de alguma chuva perto. E o chiim dos grilos ajuntava o campo, aos quadrados. Por mim, só, de tantas minúcias, não era o capaz de me alembrar, não sou de à parada pouca coisa; mas a saudade me alembra. Que se hoje fosse. Diadorim me pôs o rastro dele para sempre em todas essas quisquilhas da natureza. Sei como sei. Som como os sapos sorumbavam. Diadorim, duro sério, tão bonito, no relume das brasas. Quase que a gente não abria boca; mas era um delém que me tirava para ele — o irremediável extenso da vida. Por mim, não sei que tontura de vexame, com ele calado eu a ele estava obedecendo quieto.
No texto apresentado, de caráter narrativo, o personagem narrador não está implicado nos fatos.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Errado. O enunciado falha porque o narrador aparece como narrador-personagem, isto é, participa diretamente dos eventos que relata. No trecho há uso explícito da primeira pessoa, por exemplo "Diadorim e eu, nós dois. A gente dava passeios.", o que identifica a voz narrativa como protagonista da cena.
Além das formas pronominais, o texto registra ações em que o narrador intervém, por exemplo "Diadorim acendeu um foguinho, eu fui buscar sabugos", e juízos íntimos, como "a saudade me alembra", que revelam memória e subjetividade.
Esses traços mostram uma narração em que o sujeito não é observador externo, ele vive e sente os fatos, rememora-os e focaliza-os a partir de suas percepções pessoais. Portanto a afirmação de que o narrador "não está implicado nos fatos" é incorreta.
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