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Questão FC115687

Texto CB4A1BBB O Zoológico de Sapucaia do Sul abrigou um dia um macaco chamado Alemão. Em um domingo de Sol, Alemão conseguiu abrir o cadeado de sua jaula e escapou. O largo horizo

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2018

Texto CB4A1BBB

O Zoológico de Sapucaia do Sul abrigou um dia um macaco chamado Alemão. Em um domingo de Sol, Alemão conseguiu abrir o cadeado de sua jaula e escapou. O largo horizonte do mundo estava à sua espera. As árvores do bosque estavam ao alcance de seus dedos. Ele passara a vida tentando abrir aquele cadeado. Quando conseguiu, em vez de mergulhar na liberdade, desconhecida e sem garantias, Alemão caminhou até o restaurante lotado de visitantes. Pegou uma cerveja e ficou bebericando no balcão.

Um zoológico serve para muitas coisas, algumas delas edificantes. Mas um zoológico serve, principalmente, para que o homem tenha a chance de, diante da jaula do outro, certificar-se de sua liberdade e da superioridade de sua espécie. Ele pode então voltar para o apartamento financiado em quinze anos satisfeito com sua vida. Pode abrir as grades da porta contente com seu molho de chaves e se aboletar no sofá em frente à TV; acordar na segunda-feira feliz para o batente.

Há duas maneiras de se visitar um zoológico: com ou sem inocência. A primeira é a mais fácil e a única com satisfação garantida. A outra pode ser uma jornada sombria para dentro do espelho, sem glamour e também sem volta.

Os tigres-de-bengala são reis de fantasia. Têm voz, possuem músculos, são magníficos. Mas, nascidos em cativeiro, já chegaram ao mundo sem essência. São um desejo que nunca se tornará realidade. Adivinham as selvas úmidas da Ásia, mas nem sequer reconhecem as estrelas. Quando o Sol escorrega sobre a região metropolitana, são trancafiados em furnas de pedra, claustrofóbicas. De nada servem as presas a caçadores que comem carne de cavalo abatido em frigorífico. De nada serve a sanha a quem dorme enrodilhado, exilado não do que foi, mas do que poderia ter sido.

Eliane Brum. O cativeiro. In: A vida que ninguém vê. Porto Alegre: Arquipélago, 2006, p. 53-4 (com adaptações).

Com relação aos sentidos e aos aspectos gramaticais do texto CB4A1BBB, julgue o item que se segue.

Ao narrar a história do macaco Alemão e ao comentar a vida dos tigres-de-bengala nascidos em cativeiro, a autora remete à perspectiva de visitar zoológicos que ela classifica como “sem inocência”.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Comentário: A resposta está CERTA porque a autora constrói uma crítica profunda sobre a realidade dos animais em cativeiro, utilizando-se da figura do macaco Alemão e a situação dos tigres-de-bengala como exemplos emblemáticos.

Ao descrever como Alemão, após uma vida inteira lutando pela liberdade, acaba optando por um comportamento que parece se distanciar da verdadeira liberdade, ao ir até um restaurante e consumir uma cerveja, a autora traz à tona a ideia de uma visita ao zoológico “sem inocência”. Isso implica uma reflexão crítica, onde a liberdade é uma ilusão e o cativeiro representa uma condição existencial.

Em relação aos tigres, a autora reforça que, mesmo majestosos e imponentes, eles são apenas sombras de uma essência perdida, nasceram em cativeiro e anseiam por um mundo que nunca conhecem. A frase "um desejo que nunca se tornará realidade" denota uma frustração subjacente à experiência de seres que, apesar de possuírem a aparência de força, estão presos em uma realidade de alienação.

Assim, a crítica de Eliane Brum sobre zoológicos transcende a mera observação, ao refletir sobre a condição humana e a ilusão da liberdade, evidenciando a visita com reflexão - a "visita sem inocência" - como uma jornada essencial para a compreensão do que significa estar realmente livre.

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