Questão FC115724
Texto 1A12-I Preguiça e covardia são as causas que explicam por que uma grande parte dos seres humanos, mesmo muito após a natureza tê-los declarado livres da orientação alheia, ai
Interpretação de Textos (Compreensão)
CEBRASPE (CESPE) · 2018
Preguiça e covardia são as causas que explicam por que uma grande parte dos seres humanos, mesmo muito após a natureza tê-los declarado livres da orientação alheia, ainda permanecem, com gosto e por toda a vida, na condição de menoridade. As mesmas causas explicam por que parece tão fácil outros afirmarem-se como seus tutores. É tão confortável ser menor! Tenho à disposição um livro que entende por mim, um pastor que tem consciência por mim, um médico que me prescreve uma dieta etc.: então não preciso me esforçar. Não me é necessário pensar, quando posso pagar; outros assumirão a tarefa espinhosa por mim.
A maioria da humanidade vê como muito perigoso, além de bastante difícil, o passo a ser dado rumo à maioridade, uma vez que tutores já tomaram para si de bom grado a sua supervisão. Após terem previamente embrutecido e cuidadosamente protegido seu gado, para que essas pacatas criaturas não ousem dar qualquer passo fora dos trilhos nos quais devem andar, os tutores lhes mostram o perigo que as ameaça caso queiram andar por conta própria. Tal perigo, porém, não é assim tão grande, pois, após algumas quedas, aprenderiam finalmente a andar; basta, entretanto, o exemplo de um tombo para intimidá-las e aterrorizá-las por completo para que não façam novas tentativas.
Acerca das ideias e dos sentidos do texto 1A12-I, julgue o seguinte item.
O autor utiliza a expressão “É tão confortável ser menor!” para assumir que ele mesmo está na condição de menoridade.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Comentário: A expressão “É tão confortável ser menor!” não deve ser interpretada como uma confissão do autor acerca de sua própria condição de inferioridade. Ao contrário, essa frase é utilizada de maneira crítica e reflexiva. O autor, ao afirmar que é confortável permanecer na menoridade, destaca uma realidade observada na sociedade, onde muitos preferem a comodidade de não assumir a responsabilidade de pensar e agir por si próprios.
Essa afirmação serve como uma crítica a uma postura comum diante da vida, em que as pessoas se acomodam sob a tutela de terceiros. Essa ideia se aproxima do conceito de ironia, onde o autor pretende provocar uma reflexão sobre a falácia de aceitar-se submisso. A utilização dessa estratégia retórica contrasta com a verdadeira intenção de encorajar a autonomia e a reflexão crítica, incentivando o leitor a superar os medos e as barreiras que o mantêm complacente. Portanto, a percepção de que o autor se coloca como menor é uma interpretação equivocada e simplista do seu discurso. Assim, a afirmação da banca está errada.
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