Questão FC115726
Texto 1A12-I Preguiça e covardia são as causas que explicam por que uma grande parte dos seres humanos, mesmo muito após a natureza tê-los declarado livres da orientação alheia, ai
Interpretação de Textos (Compreensão)
CEBRASPE (CESPE) · 2018
Preguiça e covardia são as causas que explicam por que uma grande parte dos seres humanos, mesmo muito após a natureza tê-los declarado livres da orientação alheia, ainda permanecem, com gosto e por toda a vida, na condição de menoridade. As mesmas causas explicam por que parece tão fácil outros afirmarem-se como seus tutores. É tão confortável ser menor! Tenho à disposição um livro que entende por mim, um pastor que tem consciência por mim, um médico que me prescreve uma dieta etc.: então não preciso me esforçar. Não me é necessário pensar, quando posso pagar; outros assumirão a tarefa espinhosa por mim.
A maioria da humanidade vê como muito perigoso, além de bastante difícil, o passo a ser dado rumo à maioridade, uma vez que tutores já tomaram para si de bom grado a sua supervisão. Após terem previamente embrutecido e cuidadosamente protegido seu gado, para que essas pacatas criaturas não ousem dar qualquer passo fora dos trilhos nos quais devem andar, os tutores lhes mostram o perigo que as ameaça caso queiram andar por conta própria. Tal perigo, porém, não é assim tão grande, pois, após algumas quedas, aprenderiam finalmente a andar; basta, entretanto, o exemplo de um tombo para intimidá-las e aterrorizá-las por completo para que não façam novas tentativas.
Depreende-se do texto a ideia de que, para garantir controle sobre os tutelados e mantê-los em condição de menoridade, os tutores utilizam estratégias de intimidação e aterrorização.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Comentário: A afirmativa proposta está correta, pois o texto revela como os tutores mantêm os tutelados em um estado de menoridade através de táticas de intimidação e medo. No segundo parágrafo, o autor diz que "os tutores já tomaram para si de bom grado a supervisão", indicando que optaram por controlar e proteger aqueles que se encontram em um estado de dependência. Esta proteção, ao invés de ser um ato benevolente, é descrita como uma estratégia que visa garantir a subserviência. A frase "após terem previamente embrutecido e cuidadosamente protegido seu gado" sugere que, além de atender às necessidades dos tutelados, os tutores também criam um ambiente que os impede de se desenvolverem. O parágrafo avança ao mencionar que, embora o temor do perigo possa parecer legítimo, o autor afirma que "tal perigo não é assim tão grande". Isso indica que, apesar das quedas esperadas ao se buscar a autonomia, os tutores utilizam o exemplo de um tombo para intimidar, impedindo novas tentativas. Assim, a persistência dessa mentalidade de tutelagem está, de fato, atrelada à utilização de elementos de terror psicológico, confirmando a ideia central apresentada na afirmação.
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