Questão FC115742
Texto CB3A1-II A construção da ideia de patrimônio cultural se deu no bojo de dois processos históricos muito importantes para o Ocidente: a constituição dos Estados-nações europeu
Interpretação de Textos (Compreensão)
CEBRASPE (CESPE) · 2018
A construção da ideia de patrimônio cultural se deu no bojo de dois processos históricos muito importantes para o Ocidente: a constituição dos Estados-nações europeus e a instituição da história como um campo específico de conhecimento. Não é difícil entender essa relação íntima entre eles. Para unificar populações, culturas, territórios, foi preciso elaborar a própria ideia de nação, que se fundamenta em alguns elementos estruturantes: um conjunto de pessoas que partilha uma cultura, uma língua, uma origem comum, uma única identidade. Nesse contexto, a história foi um poderoso elemento de legitimação dessa ideia de nação, pois era preciso buscar suas origens no passado, evidenciando a continuidade, o caráter e a força do povo que a constituía.
A concepção do passado como “herança da nação” está dada como fundamento mesmo da possibilidade de futuro — e, nesse sentido, é necessário preservá-lo, garantir a existência de seus vestígios e sinais, para usufruto das gerações que virão. O Estado, como poder legítimo instituído, que zela pelo bem da coletividade, torna-se o principal agente nesse processo de guarda da memória. Com isso, voltamos à ideia de patrimônio: tudo aquilo que “restou” do passado, que constitui vestígio das experiências vividas e do potencial de criação de um povo, pode vir a se tornar patrimônio da nação.
por ter unificado pessoas, culturas e territórios a partir de um ideal de nação, a história, entendida como área do conhecimento, tornou-se o elemento garantidor da legitimidade dos Estados-nações.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Comentário: A afirmativa está correta ao ser considerada ERRADA por conta da interpretação do papel da história na formação da ideia de nação. Embora o texto mencione que a história foi um elemento importante para legitimar essa ideia, ele não afirma que ela se tornou, por si só, o garantidor da legitimidade dos Estados-nações. O que a autora nos propõe é que, para construir a noção de nação, foram necessários elementos estruturantes, como cultura e língua, que transmitem uma identidade comum entre as populações. A história, nesse panorama, atua como um suporte que busca conectar o presente ao passado, mas não necessariamente como um mecanismo de garantia de legitimidade. Dessa forma, a afirmação confunde a função da história, que é a de legitimar a ideia de nação, com a de ser um elemento que subsidia a construção da legitimidade dos Estados-nações, o que não é suportado pelas ideias apresentadas no texto. Portanto, a resposta está correta ao considerar a afirmação como incorreta.
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