Questão FC115768
Comunidade das pequenas salas de cinema, não muita gente, e a que houver tocada em cheio como o coração tocado por um dedo vibrante, tocada, a pequena assembleia humana, por um sop
Interpretação de Textos (Compreensão)
CEBRASPE (CESPE) · 2018
A escrita não substitui o cinema nem o imita, mas a técnica do cinema, enquanto ofício propiciatório, suscita modos esferográficos de fazer e celebrar. Olhos contempladores e pensadores, mão em mãos seriais, movimento, montagem da sensibilidade, música vista (ouçam também com os olhos!) (...) O arroubo é uma atenção votada às miúdas cumplicidades com o mundo, o mundo em frases, em linhas fosforescentes, em texto revelado, como se diz que se revela uma fotografia ou se revela um segredo. O poema, o cinema, são inspirados porque se fundam na minúcia e no rigor das técnicas da atenção ardente.
Alimentamo-nos de imagens emendadas, representações conjugadas simbolicamente, pontos fortes e luminosos, pensamentos bucais (...). A imagem é um ato pelo qual se transforma a realidade, é uma gramática profunda no sentido em que refere que o desejo é profundo, e profunda a morte, e a vida ressurrecta.
Com relação ao texto Cinemas, do poeta português Herberto Helder, e a aspectos a ele relacionados, julgue o item.
Depreende-se do emprego da primeira pessoa do plural no trecho “Alimentamo-nos” (l.26) que o autor inclui-se entre os espectadores de cinema.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Comentário: O uso da primeira pessoa do plural em “Alimentamo-nos” é um destaque crucial na interpretação do texto de Herberto Helder. Esta construção verbal é uma poderosa ferramenta que conecta o autor aos demais espectadores, insinuando que ele também participa dessa experiência coletiva no cinema. Ao afirmar que se alimentam de “imagens emendadas” e “representações conjugadas simbolicamente”, Helder não apenas descreve o que acontece nas salas de cinema, mas também se coloca como um ator nessa cena. Esta inclusão revela uma conexão íntima com o público, sugerindo que todos estão imersos em um mesmo processo de apreciação e reflexão sobre as imagens na tela. A escolha da primeira pessoa do plural torna a experiência cinematográfica algo partilhado; é um convite para que o leitor perceba que, ao assistir ao cinema, não está sozinho, mas dentro de uma assembleia vibrante de sentimentos e percepções. Portanto, essa escolha linguística reforça a ideia de que Helder se identifica com seu público, configurando o item como CERTO.
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