Questão FC115781
E aqui ficamos todos contritos, a ouvir na névoa o desconforme, submerso curso dessa torrente do purgatório... Quais os que tombam, em crime exaustos, quais os que sobem, purificad
Interpretação de Textos (Compreensão)
CEBRASPE (CESPE) · 2018
Fala aos inconfidentes mortos
Treva da noite,
lanosa capa
nos ombros curvos
dos altos montes
aglomerados...
Agora, tudo
jaz em silêncio:
amor, inveja,
ódio, inocência,
no imenso tempo
se estão lavando...
Grosso cascalho
da humana vida...
Negros orgulhos,
ingênua audácia,
e fingimentos
e covardias
(e covardias!)
vão dando voltas
no imenso tempo,
— à água implacável
do tempo imenso,
rodando soltos,
com sua rude
miséria exposta...
Parada noite,
suspensa em bruma:
não, não se avistam
os fundos leitos...
Mas, no horizonte
do que é memória
da eternidade,
referve o embate
de antigas horas,
de antigos fatos,
de homens antigos.
E aqui ficamos
todos contritos,
a ouvir na névoa
o desconforme,
submerso curso
dessa torrente
do purgatório...
Quais os que tombam,
em crime exaustos,
quais os que sobem,
purificados?
O poema Fala aos inconfidentes mortos encerra a obra Romanceiro da Inconfidência, na qual Cecília Meireles aborda o importante episódio histórico acontecido em Minas Gerais. Acerca desse poema e de aspectos a ele relacionados, julgue o item.
Apesar de o título do poema remeter a um momento histórico específico, Cecília Meireles coteja esse episódio com uma perspectiva temporal mais ampla, conforme se infere dos versos “no imenso tempo” (v. 10 e 20) e “do tempo imenso” (v.22).
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Comentário: No poema Fala aos inconfidentes mortos, Cecília Meireles explora não apenas o evento histórico da Inconfidência Mineira, mas também a ideia de que este episódio está inserido em um contexto temporal muito mais vasto. A repetição das expressões “no imenso tempo” e “do tempo imenso” ressalta a contemplação da poetisa sobre a continuidade e a passagem do tempo, além da mera descrição de um fato histórico.
A autora nos força a pensar nas implicações universais dos sentimentos humanos — como amor, ódio e coragem — que transcendem as barreiras temporais e remetem à fragilidade da vida e à busca por significado. Assim, Meireles nos convida a refletir sobre a persistência das memórias e a relevância dos eventos passados em relação à experiência humana. Essa conexão entre o particular e o universal evidencia que a afirmação de que a poeta coteja um episódio específico com um horizonte temporal mais amplo é, de fato, CORRETA.
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