Questão FC115788
Texto I No filme Eu, Robô, um policial encarregado de investigar o assassinato de um humano supostamente cometido por uma máquina interroga um robô. Esse policial demonstra, desde
Interpretação de Textos (Compreensão)
CEBRASPE (CESPE) · 2018
No filme Eu, Robô, um policial encarregado de investigar o assassinato de um humano supostamente cometido por uma máquina interroga um robô. Esse policial demonstra, desde o início do filme, uma atitude de reprovação em relação ao desenvolvimento tecnológico dessas máquinas. Na cena do interrogatório, ocorre o seguinte diálogo entre o policial e o robô.
Policial: Por que se escondeu na cena do crime?
Robô: Eu tive medo.
Policial: Robôs não sentem medo. Eles não sentem nada. Não sentem fome, não sentem sono.
Robô: Eu tenho. E tenho até mesmo sonhos.
Policial: Seres humanos é que têm sonhos. Até cães têm sonhos. Você não. Você é só uma máquina. Uma imitação da vida. Um robô consegue compor uma sinfonia? Um robô consegue pintar uma bela obra-prima?
Robô: Você consegue?
(O policial fica em silêncio, constrangido).
Texto II
É preciso estenderos dedos, completamente, nessa direção e fazer o ensaio de captar essa assombrosa finesse — de que o valor da vida não pode ser avaliado. Por um vivente não, porque este é parte interessada, e até mesmo objeto de litígio, e não juiz; por um morto não, por outra razão. Da parte de um filósofo, ver no valor da vida um problema permanece, dessa forma, até mesmo uma objeção contra ele, um ponto de interrogação diante de sua sabedoria, uma falta de sabedoria.
Tendo como referência os fragmentos de texto apresentados e considerando as noções filosóficas de natureza humana e a noção de vida em Nietzsche, julgue o item.
Do diálogo mostrado no texto I infere-se que o policial, ao afirmar que um robô é “Uma imitação da vida” (l. 13 e 14), concebe a “vida” de uma maneira determinada.
Mostrar resposta e comentário
Gabarito
Certo
Comentário do professor
Comentário: No diálogo presente no Texto I, a frase do policial ao caracterizar o robô como "uma imitação da vida" revela sua visão limitada sobre o conceito de vida. Ele associa vida à capacidade de sentir emoções, ter sonhos e criar arte, uma noção que implica que apenas seres humanos e animais se enquadram neste conceito. Essa percepção é um reflexo de uma concepção antropocêntrica, na qual o policial desconsidera a complexidade que a capacidade de uma máquina pode abarcar.
Quando o robô responde que também sonha, ele provoca o policial e gera um silêncio desconfortável, evidenciando que a linha que separa o humano do artificial pode ser mais tênue do que se imagina. Assim, a afirmação do policial está correta ao expressar uma maneira específica de ver a vida, que é reduzida e exclui a possibilidade de que seres não humanos, como máquinas, possam ter experiências e criações significativas. Portanto, o item está CERTO, pois o policial, ao dessacralizar a vida e categorizá-la como uma exclusividade humana, revela sua compreensão limitada sobre o que significa realmente viver.
Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em