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Questão FC115859

Por causa do português muito ruim que eu falava, as aulas eram terríveis. Quase não entendia nada. Matemática, ciências, história ou geografia eram gregos. No entanto, sempre procu

Morfologia

CEBRASPE (CESPE) · 2017

Por causa do português muito ruim que eu falava, as aulas eram terríveis. Quase não entendia nada. Matemática, ciências, história ou geografia eram gregos. No entanto, sempre procurava me esforçar ao máximo, porque eu sabia que, se não o fizesse, receberia castigos que eram, às vezes, físicos e, outras, uma penca de exercícios pra fazer em casa. As lições de casa roubavam meu tempo de brincar e me divertir. Havia apenas duas coisas de que eu gostava na escola: as aulas de educação física e a professora de português. A primeira vocês podem entender o porquê, né? Era nas aulas de educação física que eu me vingava dos meus colegas. Eles eram todos muito fracos, lentos, preguiçosos, e eu o mais rápido, o mais preparado, o mais forte. As corridas pela mata, as subidas constantes nos pés de açaizeiro, as braçadas no igarapé e o café da manhã que minha mãe preparava me davam energia de sobra e me faziam ser mais desenvolvido que os frangotes da cidade. Eu procurava mostrar todo o meu vigor nessas horas e meus colegas tinham mesmo que admirar o “bicho do mato”, como diziam.

Daniel Munduruku. Professora de português. Internet: <www.danielmunduruku.blogspot.com.br>
(com adaptações).

Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item.

No período “Quase não entendia nada”, o sujeito da forma verbal “entendia” é correspondente ao pronome “eu”.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

O item é certo porque a forma verbal “entendia” retoma o mesmo referente presente na frase anterior, ou seja, o pronome eu.

No trecho, há duas orações sequenciais: “Por causa do português muito ruim que eu falava, as aulas eram terríveis.” e “Quase não entendia nada.” A primeira explicita o sujeito eu, e a segunda omite o pronome, recurso comum no português (omissão do sujeito).

Além disso, ambas as formas verbais estão no pretérito imperfeito, indicando continuidade no passado, o que favorece a anáfora entre elas; apesar de “entendia” ser morfologicamente ambígua, o contexto confirma a referência a eu.

Portanto, o sujeito de “entendia” é corresponsivo a eu.

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