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Questão FC115916

Texto O açúcar arrasou o Nordeste. A faixa úmida do litoral, bem regada por chuvas, tinha um solo de grande fertilidade, muito rico em húmus e sais minerais, coberto por matas trop

Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)

CEBRASPE (CESPE) · 2017

Texto

O açúcar arrasou o Nordeste. A faixa úmida do litoral, bem regada por chuvas, tinha um solo de grande fertilidade, muito rico em húmus e sais minerais, coberto por matas tropicais da Bahia até o Ceará. Essa região de matas tropicais converteu-se em região de savanas. Naturalmente nascida para produzir alimentos, passou a ser uma região de fome. O latifúndio açucareiro, destrutivo e avassalador, deixou rochas estéreis, solos lavados, terras erodidas. Fizeram-se, a princípio, plantações de laranjas e mangas, que foram abandonadas e se reduziram a pequenas hortas que rodeavam a casa do dono do engenho, exclusivamente reservadas para a família do plantador branco. Os incêndios que abriam terras aos canaviais devastaram a floresta e com ela a fauna; desapareceram os cervos, os javalis, as toupeiras, os coelhos, as pacas e os tatus. A flora e a fauna foram sacrificadas, nos altares da monocultura, à cana-de-açúcar. A produção extensiva esgotou rapidamente os solos. A abundância e a prosperidade eram, como de costume, simétricas à miséria da maioria da população, que vivia em estado crônico de subnutrição. Daqueles tempos coloniais nasceu o costume, ainda vigente, de comer terra. Antigamente, castigava-se esse “vício africano” colocando-se mordaças nas bocas das crianças ou pendurando-as dentro de cestas a grande distância do solo. A falta de ferro provoca anemia; o instinto leva as crianças a compensar com terra os sais minerais que não encontram em sua comida habitual. O Nordeste brasileiro padece hoje a herança da monocultura do açúcar.

Eduardo Galeano. As veias abertas da América Latina. Galeano de Freitas (Trad.). Rio de Janeiro, Paz e Terra (com adaptações).

Com relação aos aspectos linguísticos e aos sentidos do texto, julgue o item a seguir.

Em “pendurando-as”, a forma pronominal “as” remete a “mordaças”.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

O item foi julgado ERRADO porque a forma pronominal as não retoma mordaças, mas sim crianças.

Fazendo a substituição explicativa: "Antigamente, castigava‑se... colocando‑se mordaças nas bocas das crianças ou pendurando as crianças dentro de cestas a grande distância do solo." Essa reescrita mantém a cadeia referencial e o sentido do castigo.

Embora mordaças e crianças concordem em gênero e número com as, a coesão do texto e a plausibilidade contextual indicam que o pronome retoma o termo mais salientemente afetado pela ação, crianças, e não o instrumento (mordaças).

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