Questão FC115944
Texto O açúcar arrasou o Nordeste. A faixa úmida do litoral, bem regada por chuvas, tinha um solo de grande fertilidade, muito rico em húmus e sais minerais, coberto por matas trop
Interpretação de Textos (Compreensão)
CEBRASPE (CESPE) · 2017
O açúcar arrasou o Nordeste. A faixa úmida do litoral, bem regada por chuvas, tinha um solo de grande fertilidade, muito rico em húmus e sais minerais, coberto por matas tropicais da Bahia até o Ceará. Essa região de matas tropicais converteu-se em região de savanas. Naturalmente nascida para produzir alimentos, passou a ser uma região de fome. O latifúndio açucareiro, destrutivo e avassalador, deixou rochas estéreis, solos lavados, terras erodidas. Fizeram-se, a princípio, plantações de laranjas e mangas, que foram abandonadas e se reduziram a pequenas hortas que rodeavam a casa do dono do engenho, exclusivamente reservadas para a família do plantador branco. Os incêndios que abriam terras aos canaviais devastaram a floresta e com ela a fauna; desapareceram os cervos, os javalis, as toupeiras, os coelhos, as pacas e os tatus. A flora e a fauna foram sacrificadas, nos altares da monocultura, à cana-de-açúcar. A produção extensiva esgotou rapidamente os solos. A abundância e a prosperidade eram, como de costume, simétricas à miséria da maioria da população, que vivia em estado crônico de subnutrição. Daqueles tempos coloniais nasceu o costume, ainda vigente, de comer terra. Antigamente, castigava-se esse “vício africano” colocando-se mordaças nas bocas das crianças ou pendurando-as dentro de cestas a grande distância do solo. A falta de ferro provoca anemia; o instinto leva as crianças a compensar com terra os sais minerais que não encontram em sua comida habitual. O Nordeste brasileiro padece hoje a herança da monocultura do açúcar.
Infere-se do texto que, à época das plantações de cana-de-açúcar, o Nordeste era a região economicamente mais desenvolvida do Brasil.
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Comentário do professor
Comentário: Ao analisarmos a afirmação de que o Nordeste era a região economicamente mais desenvolvida do Brasil durante a época das plantações de cana-de-açúcar, vemos que essa conclusão é incorreta.
O texto nos fornece informações valiosas sobre a riqueza do solo nordestino e suas potencialidades, mas essa fertilidade foi drasticamente comprometida pelos efeitos destrutivos da monocultura do açúcar. O autor enfatiza que a monocultura resultou em solos erodidos e destruição da flora e fauna, criando um cenário de miséria e subnutrição para a maioria da população.
Embora a produção de açúcar tenha sido uma atividade econômica relevante, a prosperidade gerada era concentrada nas mãos de poucos - os proprietários de engenhos - enquanto a massa da população enfrentava fome crônica e um padrão de vida degradante, caracterizando um ambiente de desigualdade e exploração.
Dessa forma, é evidente que a afirmativa não se sustenta, já que a riqueza econômica dessa atividade não beneficiava a totalidade da população, muito menos tornava a região economicamente desenvolvida de forma geral.
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