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Questão FC116339

Eu, Marília, não fui nenhum vaqueiro, fui honrado pastor da tua aldeia; vestia finas lãs e tinha sempre a minha choça do preciso cheia. Tiraram-me o casal e o manso gado, nem tenho

Colocação Pronominal

CEBRASPE (CESPE) · 2015

Eu, Marília, não fui nenhum vaqueiro,
fui honrado pastor da tua aldeia;
vestia finas lãs e tinha sempre
a minha choça do preciso cheia.
Tiraram-me o casal e o manso gado,
nem tenho a que me encoste um só cajado.

Para ter que te dar, é que eu queria
de mor rebanho ainda ser o dono;
prezava o teu semblante, os teus cabelos
ainda muito mais que um grande trono.
Agora que te oferte já não vejo,
além de um puro amor, de um são desejo.

Se o rio levantado me causava,
levando a sementeira, prejuízo,
eu alegre ficava, apenas via
na tua breve boca um ar de riso.
Tudo agora perdi; nem tenho o gosto
de ver-te ao menos compassivo o rosto.

Thomaz Antonio Gonzaga. Marília de Dirceu.
Rio de Janeiro: Edouro, 1992. p. 74.

Tendo por referência o fragmento acima, da obra Marília de Dirceu, de Thomaz Antonio Gonzaga, e considerando a estética árcade, julgue o item a seguir.

No verso 18, um dos complementos do verbo “ver” está representado pelo pronome “te”, seguido de seu predicativo: “compassivo”.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A afirmação é errada porque o verbo ver tem como complemento direto o substantivo o rosto, e não o pronome te. O adjetivo compassivo funciona como predicativo do objeto, atribuindo qualidade ao rosto.

O pronome oblíquo te assume valor possessivo, indicando a quem pertence o rosto, equivalente a teu. Assim, a frase se reescreve sem alterar a função sintática:
de ver-te ao menos compassivo o rosto = de ver ao menos compassivo o teu rosto.

Logo, te não é complemento do verbo, é um indicativo de posse, motivo pelo qual o julgamento como ERRADO está correto.

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