Questão FC116350
A questão é a seguinte: devemos usar a norma culta em todas as situações? Evidentemente que não, sob pena de parecermos pedantes. Dizer “nós fôramos” em vez de “a gente tinha ido”
Semântica
CEBRASPE (CESPE) · 2015
A língua é como a roupa que vestimos: há um traje para cada ocasião. Há situações em que se deve usar traje social, outras em que o mais adequado é o casual, sem falar nas situações em que se usa maiô ou mesmo nada, quando se toma banho. Trata-se de normas indumentárias que pressupõem um uso “normal”. Não é proibido ir à praia de terno, mas não é normal, pois causa estranheza.
A língua funciona do mesmo modo: há uma norma para entrevistas de emprego, audiências judiciais; e outra para a comunicação em compras no supermercado. A norma culta é o padrão de linguagem que se deve usar em situações formais.
A questão é a seguinte: devemos usar a norma culta em todas as situações? Evidentemente que não, sob pena de parecermos pedantes. Dizer “nós fôramos” em vez de “a gente tinha ido” em uma conversa de botequim é como ir de terno à praia. E quanto a corrigir quem fala errado? É claro que os pais devem ensinar seus filhos a se expressar corretamente, e o professor deve corrigir o aluno, mas será que temos o direito de advertir o balconista que nos cobra “dois real” pelo cafezinho?
De acordo com o texto acima, julgue o seguinte item.
O vocábulo “indumentárias” está empregado em sentido figurado.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
O enunciado está correto porque o termo indumentárias aparece com valor conotativo, não no sentido estrito de roupa.
Temos dois sentidos: sentido literal, o denotativo do dicionário, e sentido figurado, quando a palavra é usada por analogia. No trecho “Trata-se de normas indumentárias que pressupõem um uso ‘normal’”, o autor estabelece uma comparação entre normas de vestuário e normas de uso da língua.
Aqui indumentárias qualifica “normas” por analogia, transferindo a ideia de traje adequado para a esfera linguística, ou seja, é uma metáfora. Não se fala de roupas concretas, mas de regras de adequação linguística.
Portanto, o emprego é figurado, justificando o julgamento CERTO.
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