Questão FC116385
Poema I Dois e dois são quatro Como dois e dois são quatro Sei que a vida vale a pena Embora o pão seja caro E a liberdade, pequena Como teus olhos são claros E a tua pele, morena
Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
CEBRASPE (CESPE) · 2015
Dois e dois são quatro
Como dois e dois são quatro
Sei que a vida vale a pena
Embora o pão seja caro
E a liberdade, pequena
Como teus olhos são claros
E a tua pele, morena
Como é azul o oceano
E a lagoa, serena
Como um tempo de alegria
Por trás do terror me acena
E a noite carrega o dia
No seu colo de açucena
— sei que dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
mesmo que o pão seja caro
e a liberdade, pequena.
Ferreira Gullar. Toda poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 2000.
Poema II
Neologismo
Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana.
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
Intransitivo:
Teadoro, Teodora
Manuel Bandeira. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1994.
Considerando os aspectos estruturais e os sentidos produzidos nos poemas acima, julgue o item a seguir.
Nos versos 4, 6 e 8 do poema I, o emprego da vírgula sinaliza a elipse do verbo de ligação.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A afirmação é certa porque a vírgula nesses versos marca a supressão do verbo copulativo. Em "E a liberdade, pequena", "E a tua pele, morena" e "E a lagoa, serena" temos sujeito + vírgula + adjetivo funcionando como predicativo, isto é, a oração está elíptica quanto ao verbo de ligação.
Gramaticalmente, lê‑se como "E a liberdade (é) pequena", com o verbo ser implícito. A vírgula assinala a pausa e o lugar da omissão, recurso comum em poesia para economia verbal e ritmo.
Portanto, a pontuação não é mera ornamentação, mas sinaliza a elipse do verbo copulativo, confirmando o julgamento.
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