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Questão FC116462

A questão é a seguinte: devemos usar a norma culta em todas as situações? Evidentemente que não, sob pena de parecermos pedantes. Dizer “nós fôramos” em vez de “a gente tinha ido”

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2015

A língua que falamos, seja qual for (português, inglês...), não é uma, são várias. Tanto que um dos mais eminentes gramáticos brasileiros, Evanildo Bechara, disse a respeito: “Todos temos de ser poliglotas em nossa própria língua”. Qualquer um sabe que não se deve falar em uma reunião de trabalho como se falaria em uma mesa de bar. A língua varia com, no mínimo, quatro parâmetros básicos: no tempo (daí o português medieval, renascentista, do século XIX, dos anos 1940, de hoje em dia); no espaço (português lusitano, brasileiro e mais: um português carioca, paulista, sulista, nordestino); segundo a escolaridade do falante (que resulta em duas variedades de língua: a escolarizada e a não escolarizada) e finalmente varia segundo a situação de comunicação, isto é, o local em que estamos, a pessoa com quem falamos e o motivo da nossa comunicação ― e, nesse caso, há, pelo menos, duas variedades de fala: formal e informal.

A língua é como a roupa que vestimos: há um traje para cada ocasião. Há situações em que se deve usar traje social, outras em que o mais adequado é o casual, sem falar nas situações em que se usa maiô ou mesmo nada, quando se toma banho. Trata-se de normas indumentárias que pressupõem um uso “normal”. Não é proibido ir à praia de terno, mas não é normal, pois causa estranheza.

A língua funciona do mesmo modo: há uma norma para entrevistas de emprego, audiências judiciais; e outra para a comunicação em compras no supermercado. A norma culta é o padrão de linguagem que se deve usar em situações formais.

A questão é a seguinte: devemos usar a norma culta em todas as situações? Evidentemente que não, sob pena de parecermos pedantes. Dizer “nós fôramos” em vez de “a gente tinha ido” em uma conversa de botequim é como ir de terno à praia. E quanto a corrigir quem fala errado? É claro que os pais devem ensinar seus filhos a se expressar corretamente, e o professor deve corrigir o aluno, mas será que temos o direito de advertir o balconista que nos cobra “dois real” pelo cafezinho?

Língua Portuguesa. Internet: <www.revistalingua.uol.com.br> (com adaptações).

De acordo com o texto acima, julgue o seguinte item.

Depreende-se do texto que a língua falada não é uma, mas são várias porque, a depender da situação, o falante pode se expressar com maior ou menor formalidade.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Afirmativa CORRETA. O texto enfatiza a ideia de que a língua que falamos não é um ente monolítico, mas sim uma multidão de expressões que variam conforme o ambiente e a circunstância. Como o autor menciona, é crucial adaptar nosso modo de comunicação ao contexto: "não se deve falar em uma reunião de trabalho como se falaria em uma mesa de bar." Tal afirmação revela que a linguagem é versátil e moldável, apresentando variações que podem ser observadas em quatro aspectos fundamentais: temporal, espacial, escolaridade e situação comunicativa.
A comparação entre a língua e vestuário é particularmente elucidativa: assim como escolhemos roupas diferentes para diversas ocasiões, também devemos ajustar nosso modo de falar. Em uma situação formal, a norma culta se destaca, enquanto em outra, mais descontraída, uma linguagem coloquial pode ser mais adequada. Portanto, a adaptação na forma de expressão é não apenas aceitável, mas essencial para uma comunicação efetiva, como sublinha o autor: "a norma culta é o padrão de linguagem que se deve usar em situações formais." Assim, reconhecer essa diversidade linguística nos permite não apenas uma melhor comunicação, mas também uma convivência mais harmoniosa em múltiplos contextos sociais.

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