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Questão FC116463

A questão é a seguinte: devemos usar a norma culta em todas as situações? Evidentemente que não, sob pena de parecermos pedantes. Dizer “nós fôramos” em vez de “a gente tinha ido”

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2015

A língua que falamos, seja qual for (português, inglês...), não é uma, são várias. Tanto que um dos mais eminentes gramáticos brasileiros, Evanildo Bechara, disse a respeito: “Todos temos de ser poliglotas em nossa própria língua”. Qualquer um sabe que não se deve falar em uma reunião de trabalho como se falaria em uma mesa de bar. A língua varia com, no mínimo, quatro parâmetros básicos: no tempo (daí o português medieval, renascentista, do século XIX, dos anos 1940, de hoje em dia); no espaço (português lusitano, brasileiro e mais: um português carioca, paulista, sulista, nordestino); segundo a escolaridade do falante (que resulta em duas variedades de língua: a escolarizada e a não escolarizada) e finalmente varia segundo a situação de comunicação, isto é, o local em que estamos, a pessoa com quem falamos e o motivo da nossa comunicação ― e, nesse caso, há, pelo menos, duas variedades de fala: formal e informal.

A língua é como a roupa que vestimos: há um traje para cada ocasião. Há situações em que se deve usar traje social, outras em que o mais adequado é o casual, sem falar nas situações em que se usa maiô ou mesmo nada, quando se toma banho. Trata-se de normas indumentárias que pressupõem um uso “normal”. Não é proibido ir à praia de terno, mas não é normal, pois causa estranheza.

A língua funciona do mesmo modo: há uma norma para entrevistas de emprego, audiências judiciais; e outra para a comunicação em compras no supermercado. A norma culta é o padrão de linguagem que se deve usar em situações formais.

A questão é a seguinte: devemos usar a norma culta em todas as situações? Evidentemente que não, sob pena de parecermos pedantes. Dizer “nós fôramos” em vez de “a gente tinha ido” em uma conversa de botequim é como ir de terno à praia. E quanto a corrigir quem fala errado? É claro que os pais devem ensinar seus filhos a se expressar corretamente, e o professor deve corrigir o aluno, mas será que temos o direito de advertir o balconista que nos cobra “dois real” pelo cafezinho?

Língua Portuguesa. Internet: <www.revistalingua.uol.com.br> (com adaptações).

De acordo com o texto acima, julgue o seguinte item.

Segundo o texto, ‘temos de ser poliglotas em nossa própria língua’ (l. 2) significa que a língua assume variantes adequadas aos contextos em que são produzidas.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Comentário: A afirmação de que ‘temos de ser poliglotas em nossa própria língua’ é plenamente correta, pois reflete a adaptabilidade da língua mediante as circunstâncias variadas em que é utilizada.
O texto corrobora essa ideia ao enfatizar que existem diferentes variedades linguísticas que se ajustam ao contexto, tal como as vestimentas são escolhidas conforme a ocasião.
Assim como não vestimos um terno para ir à praia, também não usamos a norma culta em conversas informais, como durante um bate-papo descontraído.
Essa versatilidade é crucial na comunicação, pois nos permite transitar entre os registros formal e informal, adequando nossa linguagem ao ambiente, ao interlocutor e ao propósito da comunicação.
Portanto, ser poliglota em nossa própria língua significa dominar essas variações e utilizá-las com consciência, refletindo a rica diversidade do português que falamos no dia a dia.

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