Questão FC116500
Eu, Marília, não fui nenhum vaqueiro, fui honrado pastor da tua aldeia; vestia finas lãs e tinha sempre a minha choça do preciso cheia. Tiraram-me o casal e o manso gado, nem tenho
Interpretação de Textos (Compreensão)
CEBRASPE (CESPE) · 2015
fui honrado pastor da tua aldeia;
vestia finas lãs e tinha sempre
a minha choça do preciso cheia.
Tiraram-me o casal e o manso gado,
nem tenho a que me encoste um só cajado.
Para ter que te dar, é que eu queria
de mor rebanho ainda ser o dono;
prezava o teu semblante, os teus cabelos
ainda muito mais que um grande trono.
Agora que te oferte já não vejo,
além de um puro amor, de um são desejo.
Se o rio levantado me causava,
levando a sementeira, prejuízo,
eu alegre ficava, apenas via
na tua breve boca um ar de riso.
Tudo agora perdi; nem tenho o gosto
de ver-te ao menos compassivo o rosto.
O fragmento apresentado configura-se como uma reflexão do eu lírico, o qual contrasta dois tempos: o passado, associado à ideia de plenitude, e o presente, associado à ideia de perda.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Comentário: O fragmento apresentado realmente revela uma reflexão do eu lírico sobre sua trajetória pessoal, onde se observa um contraste entre o passado e o presente. No passado, o eu lírico se apresenta com um tom de plenitude, expressando orgulho de ser um "honrado pastor" e de ter riquezas como o "casal e o manso gado". Em contrapartida, no presente, ele se sente despojado, lamentando as perdas e a falta de conexão com a amada. Essa dualidade entre o que foi e o que é, entre a abundância e a carência, caracteriza a melancolia que permeia a estética árcade, reforçando a ideia de que o eu lírico experimenta uma profunda tristeza diante da perda e da ausência do amor. Portanto, a afirmação está correta ao identificar esse contraste temporal e emocional.
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