Questão FC116502
Eu, Marília, não fui nenhum vaqueiro, fui honrado pastor da tua aldeia; vestia finas lãs e tinha sempre a minha choça do preciso cheia. Tiraram-me o casal e o manso gado, nem tenho
Interpretação de Textos (Compreensão)
CEBRASPE (CESPE) · 2015
fui honrado pastor da tua aldeia;
vestia finas lãs e tinha sempre
a minha choça do preciso cheia.
Tiraram-me o casal e o manso gado,
nem tenho a que me encoste um só cajado.
Para ter que te dar, é que eu queria
de mor rebanho ainda ser o dono;
prezava o teu semblante, os teus cabelos
ainda muito mais que um grande trono.
Agora que te oferte já não vejo,
além de um puro amor, de um são desejo.
Se o rio levantado me causava,
levando a sementeira, prejuízo,
eu alegre ficava, apenas via
na tua breve boca um ar de riso.
Tudo agora perdi; nem tenho o gosto
de ver-te ao menos compassivo o rosto.
Thomaz Antonio Gonzaga. Marília de Dirceu.
Rio de Janeiro: Edouro, 1992. p. 74.
O eu lírico avalia criticamente, no presente, a sua ambição desmedida por posses no passado.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Comentário: O eu lírico não avalia criticamente sua ambição por posses no passado, mas expressa uma profunda tristeza pela perda de seu status e bens, além de um amor não correspondido. Ele enfatiza a valorização do amor e da beleza do ser amado, em detrimento das posses materiais, indicando que sua reflexão se concentra mais na dor da perda do que em uma crítica à ambição. Portanto, a afirmação está incorreta ao sugerir que o foco da análise é a ambição desmedida, quando na verdade é a nostalgia e a desilusão que predominam.
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