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Questão FC116550

A questão é a seguinte: devemos usar a norma culta em todas as situações? Evidentemente que não, sob pena de parecermos pedantes. Dizer “nós fôramos” em vez de “a gente tinha ido”

Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.

CEBRASPE (CESPE) · 2015

A língua que falamos, seja qual for (português, inglês...), não é uma, são várias. Tanto que um dos mais eminentes gramáticos brasileiros, Evanildo Bechara, disse a respeito: “Todos temos de ser poliglotas em nossa própria língua”. Qualquer um sabe que não se deve falar em uma reunião de trabalho como se falaria em uma mesa de bar. A língua varia com, no mínimo, quatro parâmetros básicos: no tempo (daí o português medieval, renascentista, do século XIX, dos anos 1940, de hoje em dia); no espaço (português lusitano, brasileiro e mais: um português carioca, paulista, sulista, nordestino); segundo a escolaridade do falante (que resulta em duas variedades de língua: a escolarizada e a não escolarizada) e finalmente varia segundo a situação de comunicação, isto é, o local em que estamos, a pessoa com quem falamos e o motivo da nossa comunicação ― e, nesse caso, há, pelo menos, duas variedades de fala: formal e informal.

A língua é como a roupa que vestimos: há um traje para cada ocasião. Há situações em que se deve usar traje social, outras em que o mais adequado é o casual, sem falar nas situações em que se usa maiô ou mesmo nada, quando se toma banho. Trata-se de normas indumentárias que pressupõem um uso “normal”. Não é proibido ir à praia de terno, mas não é normal, pois causa estranheza.

A língua funciona do mesmo modo: há uma norma para entrevistas de emprego, audiências judiciais; e outra para a comunicação em compras no supermercado. A norma culta é o padrão de linguagem que se deve usar em situações formais.

A questão é a seguinte: devemos usar a norma culta em todas as situações? Evidentemente que não, sob pena de parecermos pedantes. Dizer “nós fôramos” em vez de “a gente tinha ido” em uma conversa de botequim é como ir de terno à praia. E quanto a corrigir quem fala errado? É claro que os pais devem ensinar seus filhos a se expressar corretamente, e o professor deve corrigir o aluno, mas será que temos o direito de advertir o balconista que nos cobra “dois real” pelo cafezinho?

Língua Portuguesa. Internet: <www.revistalingua.uol.com.br> (com adaptações).

De acordo com o texto acima, julgue o seguinte item.

Mantêm-se a correção gramatical e as informações originais do texto ao se substituir “Trata-se de” (l.9) por Situações como essas se tratam de.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Errado. A substituição cria uma construção gramaticalmente incorreta. Trata-se de é um verbo transitivo indireto usado impessoalmente com a partícula "se" funcionando como índice de indeterminação do sujeito (IIS), por isso o verbo aparece na 3.ª pessoa do singular. A presença desse se impede que haja sujeito explícito, como Situações como essas.

Ao escrever Situações como essas se tratam de criam-se duas inconsistências, há um sujeito explícito no plural e ao mesmo tempo o se indica indeterminação; por isso a forma é incorreta. As alternativas corretas são, por exemplo, Trata-se de situações como essas ou, sem o se, Situações como essas tratam de....

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