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Questão FC116607

Ninguém escreveu um romance sobre um personagem cujo característico maior é ser sadio. Há um silêncio literário a respeito, contrapartida ao silêncio dos órgãos — uma das definiçõe

Sintaxe

CEBRASPE (CESPE) · 2016

Texto para o item

Ninguém escreveu um romance sobre um personagem cujo característico maior é ser sadio. Há um silêncio literário a respeito, contrapartida ao silêncio dos órgãos — uma das definições que já foram dadas à saúde. Teoricamente, a higidez não tem voz. Para muitas pessoas, estar sadio é simplesmente, e ao contrário do que pretende a OMS, não estar doente. Mas será que isso é suficiente?

Para falar de saúde, precisamos aprender o idioma da saúde. Não é fácil. A própria palavra “saúde”, que usamos sobretudo para alguém que espirra, soa prosaica, convencional, babaca até. “É o mais tolo vocábulo em nosso idioma”, disse, com desprezo, o iconoclasta Oscar Wilde.

Mudar o jeito que falamos de saúde significa mudar o nosso estilo de vida. No começo, lutamos contra a inércia. Mas então vem aquilo que poderíamos chamar de “salto de qualidade” e passamos a um novo patamar de nossa existência. Passamos a dialogar com nosso corpo e, para nossa surpresa, descobrimos que esse é um diálogo gratificante. Sabem-no bem as pessoas que embarcam em um programa de exercício. A sensação de bem-estar que se tem depois é algo extraordinário. São as endorfinas? Bem, então são as endorfinas. Se o corpo se expressa através delas, tudo bem. Às vezes, a voz da saúde é a voz do corpo grato.

Moacir Scliar. O idioma da saúde. In: Almanaque Visa É, ano II, n.º 2. Brasília: Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 2009, p. 7. Internet: <http://portal.anvisa.gov.br> (com adaptações).

No que se refere às ideias e às estruturas linguísticas do texto, julgue o item seguinte.

A forma “no” desempenha a função de complemento direto da forma verbal “Sabem” e funciona como elemento de coesão, uma vez que retoma a informação segundo a qual o diálogo com o corpo é gratificante.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A afirmação foi julgada CERTO porque a sequência Sabem-no bem as pessoas contém o pronome átono de terceira pessoa o, incorporado em forma enclítica como ‑no ao verbo terminado em ‑m, funcionando sintaticamente como complemento direto do verbo sabem.

Discorre-se, discursivamente, que esse pronome retoma a ideia expressa no enunciado anterior, em especial o conteúdo de que o diálogo com o corpo é gratificante, portanto atua também como elemento de coesão, estabelecendo referência anafórica e evitando repetição.

Assim, Sabem‑no = sabem isso, logo o pronome é objeto direto e marcador de coesão textual.

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